Estímulos cerebrais elétricos não invasivos podem ajudar a largar o cigarro

Estímulos cerebrais elétricos não invasivos podem ajudar a largar o cigarro

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Abril de 2022 às 19h20
Gerd Altmann/Pixabay

Pesquisadores do University Hospital of Dijon, na França, realizaram testes para verificar a eficácia de estímulos cerebrais não invasivos (NIBS, na sigla em inglês) no auxílio à abstinência de tabaco de ex-fumantes, obtendo bons resultados — o tratamento aumentou as chances de continuar abstêmio por até seis meses.

O tratamento em si pode ser feito através de eletrodos, que geram uma corrente elétrica de baixa intensidade no couro cabeludo, ou uma bobina metálica que envia pulsos magnéticos pelo cérebro. São chamados, respectivamente, de estimulação de corrente direta transcraniana (tDSC, na sigla em inglês) e estimulação magnética transcraniana (TMS). Nos Estados Unidos, o tratamento já havia sido aprovado em 2020, mas apenas no auxílio à interrupção do uso de tabaco no curto prazo.

A administração de estímulos elétricos no cérebro de forma não invasiva foi mais eficiente na ajuda à abstinência de cigarro do que outros métodos, como vareniclina e cigarro eletrônico (Imagem: Reprodução: kjpargeter/Freepik)
A administração de estímulos elétricos no cérebro de forma não invasiva foi mais eficiente na ajuda à abstinência de cigarro do que outros métodos, como vareniclina e cigarro eletrônico (Imagem: Reprodução: kjpargeter/Freepik)

Auxílio com abstinência

A FDA (Food and Drug Administration), agência de regulamentação americana, se baseou em um estudo que envolvia 262 fumantes, cujo tratamento com estímulos cerebrais ajudou a deixar o vício por até quatro semanas. O novo estudo dos pesquisadores franceses, que foi publicado no periódico científico Addiction, foi um esforço para determinar se o tratamento funciona a longo prazo, e incluiu uma revisão sistemática de todos os testes randômicos controlados utilizando a mesma técnica.

Sete testes foram observados, envolvendo 699 participantes. Em cada um deles, os fumantes foram tratados ou com o NIBS ou com uma versão falsa do tratamento, que serviu de placebo. As mudanças nos hábitos de consumo de tabaco, então, foram acompanhadas em um período entre três a seis meses após o tratamento.

Os pacientes que receberam NIBS tinham 2,39 vezes mais chances de continuar se abstendo de fumar no longo prazo do que os que receberam o tratamento falso, resultado superior a outros auxílios para quem largou o vício, como vareniclina — que é associada a um aumento de 224% nas chances de continuar abstêmio após seis meses — e cigarro eletrônico, que aumenta as chances de deixar o cigarro em 194%.

Ainda não há um entendimento completo sobre o funcionamento do cigarro e outras substâncias que causam dependência no cérebro, mas há boas hipóteses (Imagem: Freepik/Reprodução)
Ainda não há um entendimento completo sobre o funcionamento do cigarro e outras substâncias que causam dependência no cérebro, mas há boas hipóteses (Imagem: Freepik/Reprodução)

A neurofisiologia do consumo de cigarro e dos vícios, no geral, é pouco conhecia, embora pesquisadores sugiram que os desejos associados à dependência sejam mediados, em parte, pela ativação de uma região no cérebro chamada córtex pré-frontal dorsolateral. Os cientistas do estudo francês observaram a eficácia do NIBS mirando precisamente nessa região, e o resultado foi o aumento das chances dos fumantes continuarem abstêmios em 4,34 vezes.

Além disso, foi notado um aumento de 464% na chance de largar o hábito de fumar quando o NIBS foi direcionado ao córtex pré-frontal lateral e lobo da ínsula. Os pesquisadores afirmam que mais estudos são necessários para entender o que determina a eficácia do NIBS, mesmo porque a amostragem da pesquisa é pequena, mas espera-se que o tratamento possa ser uma futura opção viável na ajuda a quem quer parar de fumar.

Fonte: Addiction

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