Encontrada possível origem das placas amiloides em pacientes com Alzheimer

Encontrada possível origem das placas amiloides em pacientes com Alzheimer

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 09 de Junho de 2022 às 16h20
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Novo estudo pode ter encontrado a fonte das placas formadas no cérebro de quem tem Alzheimer, desafiando o que estava estabelecido anteriormente acerca da doença. Chamadas "flores venenosas", elas são aglomerados de detritos celulares que evidenciam falhas no sistema de descarte de resíduos no cérebro, e podem indicar a raiz de uma característica do mal de Alzheimer.

A pesquisa foi feita por neurocientistas da New York University, e desafia a ideia de que o acúmulo da proteína beta-amiloide nos neurônios seria um dos primeiros sinais da doença, causando uma das formas mais comuns de demência: segundo o achado, o dano neuronal causado no cérebro aconteceria bem antes da formação desses acúmulos.

Descoberta de problemas no descarte de resíduos por parte dos neurônios podem indicar novos avanços no combate ao Alzheimer (Imagem: iLexx/envato)
Descoberta de problemas no descarte de resíduos por parte dos neurônios podem indicar novos avanços no combate ao Alzheimer (Imagem: iLexx/envato)

Alzheimer e as beta-amiloides

A teoria atual sobre o mal de Alzheimer — ao menos até agora — era de que as proteínas beta-amiloides iam se acumulando ao redor das células cerebrais, e que os danos cerebrais causados por esse acúmulo se mostravam apenas depois do surgimento observável das placas acumuladas. O dano causado aos neurônios após os "nós" celulares aparecerem seria o que leva à perda de memória e declínio cognitivo.

Para estudar o assunto mais a fundo, os cientistas criaram camundongos em laboratório de forma que desenvolvessem a doença, e traçaram as disfunções celulares dos animais a células cerebrais chamadas lisossomas, pequenos sacos cheios de enzimas ácidas que quebram e reciclam os resíduos das células.

Com a doença, os lisossomas dos roedores perderam a acidez normal, incharam e se fundiram com outros vacúolos que carregam resíduos e que já estavam inchando com fragmentos de proteínas amiloides e outros detritos. Isso indica falhas no sistema de descarte de detritos no cérebro, sobrecarregando as células.

"Flores venenosas", vacúolos inchados ao redor dos neurônios de camundongos, como observado pelos cientistas (Imagem: Lee et al./Nature Neuroscience)

Em neurônios mais danificados, que já estavam marcados para morte celular, os vacúolos se aglomeraram em grandes bolhas membranosas, que formam estruturas parecidas com flores ao redor do núcleo das células — dando o nome à ocorrência. Nos neurônios danificados, também foram observadas placas amiloides quase totalmente formadas. As tais flores venenosas também foram vistas em células cerebrais de pacientes que morreram em decorrência da neurodegeneração característica da doença de Alzheimer.

Algumas pesquisas anteriores apontam para o fato de que depósitos amiloides em pacientes da doença são diferentes daqueles presentes em animais, e que são limpos mais facilmente nos bichos. Os cientistas, no entanto, estão otimistas com o achado, enquanto sabem que mais pesquisas são necessárias para descobrir se as placas amiloides dão início à doença de Alzheimer, a fazem progredir ou são um subproduto irrelevante no desenvolvimento da condição.

Os pesquisadores envolvidos acreditam que tratamentos futuros devem focar em reverter a disfunção dos lisossomos e rebalancear os níveis de acidez dos neurônios cerebrais, mas ainda há muito o que descobrir sobre a doença, que tem sido investigada a fundo há décadas.

Fonte: Nature Neuroscience

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