Dispositivo implantado no cérebro pode devolver parte da visão a cegos

Por Natalie Rosa | 19 de Novembro de 2019 às 23h10

Jason Esterhuizen sofreu um acidente de carro em dezembro de 2011, na época com apenas 23 anos, e teve seus olhos completamente danificados, o que o deixou cego. Em 2018, ele e outros pacientes receberam a chance de participar de um experimento científico que mudou suas vidas completamente. 

Em 2013, dois anos após o acidente, a empresa Second Sight, baseada na Califórnia, anunciou na televisão que estava desenvolvendo um implante que projetaria no cérebro uma visão artificial. Esterhuizen não contava com os requisitos necessários para receber o dispositivo naquela época, mas, cinco anos depois, ele recebeu a boa notícia. O rapaz agora é um dos seis pacientes cegos a terem a oportunidade de testar o aparelho, batizado de Orion.

O projeto foi desenvolvido com a missão de fornecer visão artificial para pessoas que acabam ficando cegas por diversas causas, como diabetes, glaucoma, ferimentos no globo ocular, entre outras condições. Esterhuizen, que antes morava na África do Sul, logo se mudou para Los Angeles e participou do experimento.

Imagem: Divulgação/Second Sight

Como funciona

O dispositivo Orion, que é basicamente um chip do tamanho de um selo, é "instalado" no cérebro do paciente. Ele possui 60 eletrodos que ficam posicionados no córtex visual, parte do órgão responsável por processar imagens visuais. A peça exige o auxílio de um par de óculos para poder reproduzir a visão artificial, e o acessório conta com uma câmera e uma unidade de processamento de vídeo acoplada.

Quando o chip é ativado, a câmera faz a captura das imagens ao redor do paciente, enquanto a unidade de processamento visual faz a conversão das imagens em pulsos elétricos graças a um algoritmo. Esses pulsos, então, são emitidos para os eletrodos que estão dentro do cérebro, fazendo a conversão para dados visuais.

Tanto Esterhuizen quando outros participantes do experimento hoje comemoram o fato de poder contar com uma visão limitada após tantos anos de cegueira completa. Não é possível, por enquanto, ver cores, formas e bordas claras, tampouco ler. No entanto, os pacientes conseguem reconhecer o movimento de objetos e ainda contam com um pouco de percepção de profundidade.

Objetos e pessoas aparecem na visão dos pacientes como pontos de luz, que vão aumentando conforme a aproximação. Esterhuizen diz que é como descobrir um novo idioma: "você aprende a interpretar o que está acontecendo", diz.

Imagem: Divulgação/Second Sight

Planos para o futuro

A Second Sight planeja aumentar a quantidade de eletrodos no chip, de 60 para alguma quantidade entre 150 e 200, além de também aprimorar a câmera e a unidade de processamento de imagem. O projeto pode contar também com visão térmica e reconhecimento facial e de objetos. Os cientistas pretendem, ainda, descobrir uma maneira de oferecer uma visão mais natural.

O Orion, no entanto, não pode ser implementado em quem é cego de nascença, pois a parte do cérebro que captura as imagens acaba não sendo desenvolvida completamente nestes casos.

Fonte: OneZero

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