Cigarro e vape podem tornar COVID-19 mais severa

Cigarro e vape podem tornar COVID-19 mais severa

Por Nathan Vieira | 18 de Março de 2020 às 17h09
Wikimedia Commons

O coronavírus causador da COVID-19 tem sido uma forte preocupação mundial. Enquanto as pessoas estão recorrendo cada vez mais às formas de prevenção, especialistas estão dirigindo seus olhares a dois fatores já polêmicos que podem ser responsáveis por complicações nos quadros da doença: cigarro e vape. Segundo estudos, a fumaça do cigarro e o aerossol do vape estão ligados à inflamação pulmonar e à diminuição da função imunológica.

Aparentemente, fumantes de longa data e usuários de cigarro eletrônico correm um risco maior de desenvolver doenças pulmonares crônicas, que foram associadas a casos mais graves de COVID-19. Segundo a Scientific American, os cientistas dizem que, portanto, parece razoável supor que fumar poderia aumentar o risco de desenvolver uma infecção grave pelo novo coronavírus. Um estudo publicado na Chinese Medical Journal envolveu 78 pacientes com COVID-19 e descobriu que aqueles com histórico de tabagismo tinham um risco 14% maior de desenvolver pneumonia.

Melodi Pirzada, chefe de pneumologia pediátrica do Hospital Winthrop da NYU em Long Island, acredita que teremos casos mais graves, especialmente em pessoas que são fumantes, a longo prazo. "É definitivamente bom senso pensar que, uma vez que você tem histórico de tabagismo ou vape, todas as vias aéreas, o mecanismo de defesa dos pulmões... tudo muda".

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Cigarro e vape podem tornar COVID-19 mais severa

O tabagismo é um fator de risco conhecido para a gripe, diz Robert Tarran, professor de biologia celular e fisiologia em Chapel Hill. "As pessoas que fumam produzem mais muco. Também não limpam os pulmões. Existem mudanças pró-inflamatórias; células imunes também são alteradas. É mais provável que eles obtenham vírus e tenham um resultado pior", explica. Os cientistas de Chapel Hill mostraram que o uso de cigarros eletrônicos suprime a atividade dos genes de resposta imune e inflamatória nas células nasais, mais ainda do que o tabaco. Outro estudo aponta que o gene que codifica o receptor ACE2, que o novo coronavírus usa para infectar células, é mais ativo em fumantes do que em não fumantes.

É válido perceber que isso tudo ainda é uma possibilidade, apenas. Nenhum desses estudos mostra diretamente que fumar ou vaporizar  aumenta a gravidade das infecções por COVID-19. Não está claro até que ponto isso é real.  Mas, dado que fumar e usar vapes podem causar danos bem estabelecidos ao sistema imunológico, parece prudente supor que eles possam piorar as infecções por coronavírus.

"Eu acho que uma coisa sensata a ser feita pelas pessoas é parar de fumar e parar com o vape, evitando a exposição", diz Stanton Glantz, diretor do Centro de Pesquisa e Educação em Controle do Tabaco da Universidade da Califórnia, em São Francisco. "Não temos todos os detalhes sobre isso, mas, com base no que sabemos, é uma questão de lógica que você reduziria seu risco se você parasse de fazer essas coisas. Qual é a desvantagem, afinal?", acrescenta o profissional. 

Fonte: Scientific American

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