Cientistas descobrem novo "remédio" contra vários vírus, incluindo o da gripe

Por Fidel Forato | 11 de Outubro de 2019 às 19h30

A medicina ainda não encontrou tratamentos eficazes para grande parte dos vírus, nem mesmo os de uma simples gripe. Os remédios que “tratam” a gripe são feitos para aliviar somente os sintomas da doença, como febres ou dores, mas não trazem cura ao paciente. Isso acontece porque os vírus são altamente mutáveis e se adaptam muito fácil, impedindo que uma fórmula fixa os ataque.

Para lidar com os vírus, é preciso desenvolver remédios mais flexíveis, ou seja, antivirais que ataquem uma ampla variedade de vírus e suas alterações. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do MIT e de Harvard testou a técnica CRISPR associada a uma enzima que pode desmontar RNAs, a estrutura genética de determinados vírus, como o da gripe. E os resultados foram bem positivos.

Detectar e destruir

Como um antivirus de computador, a nova técnica, apelidada de sistema CARVER, faz uma varredura no organismo para detectar e destruir diferentes tipos de vírus. Isso acontece quando o material genético desses organismos é editado, o que inutililza a ação prejudicial deles ao corpo humano. Se deu certo nesse primeiro momento em laboratório, significa que os horizontes estão abertos para que, em breve, a nova técnica possa tratar infecções virais comuns como a gripe, atuando como um remédio.

"Os patógenos virais humanos são extremamente diversos e se adaptam constantemente ao ambiente, mesmo dentro de uma única espécie de vírus, o que ressalta o desafio e a necessidade de plataformas antivirais flexíveis", diz Pardis Sabeti, membro do Broad Institute e professor da Universidade de Harvard. “Nosso trabalho estabelece o CARVER como uma tecnologia antiviral e programável para uma ampla variedade de vírus".

Novas possibilidades 

Para se ter ideia da importância de novas técnicas antivirais, nos últimos 50 anos, 90 medicamentos antivirais aprovados clinicamente foram produzidos, mas eles tratam apenas nove doenças. E apenas 16 vírus têm vacinas aprovadas pela FDA, agência reguladora de alimentos e remédios dos EUA.

Para explorar novas estratégias, a equipe se concentrou em uma enzima específica chamada Cas13, que naturalmente tem como alvo os vírus RNA. Quando editada, essa enzima pode ser programada para atingir sequências específicas do material genético dos vírus, alterando-os e deixando-os menos nocivos ao nosso organismo — mesmo que os vírus já estejam dentro das células do corpo.

Sessão de testes 

Os cientistas testaram experimentalmente a atividade do Cas13 em células humanas infectadas com os vírus da coriomeningite linfocítica, vírus da gripe, e vírus da estomatite vesicular. Os resultados foram promissores: o efeito da Cas13 na infectividade do vírus conseguiur reduzir seu poder, enfraquecendo o potencial da gripe em mais de 300 vezes.

Fonte: Eureka Alert

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