Cientistas criam modelo computacional para combater a propagação do vírus ebola

Cientistas criam modelo computacional para combater a propagação do vírus ebola

Por Natalie Rosa | 16 de Outubro de 2019 às 17h19

A prevenção é o primeiro passo contra a propagação de um vírus, sendo ideal também evitar que o processo de contaminação nem sequer inicie. Pensando nisso, cientistas estão buscando uma forma de prever quais são as regiões que podem ser contaminadas pelo vírus do ebola no futuro.

A iniciativa apresenta um projeto de modelo computacional que acompanha as mudanças no meio ambiente e na sociedade, identificando se há ou não a chance de propagação do vírus. O algoritmo já conseguiu prever, por exemplo, que se o aquecimento global continuar evoluindo, há 60% de probabilidade que surtos de ebola apareçam até 2070.

A doença mata, em média, metade das pessoas que acabam contraindo o vírus. Em casos passados, inclusive, a taxa de mortalidade chegou a 90%. Estes dados já são mais que suficientes para justificar a existência do projeto, que será capaz de salvar milhares de vidas.

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Com o modelo matemático identificando a probabilidade de propagação do vírus, será possível descobrir em quais regiões as pessoas devem ser vacinadas contra o ebola antes mesmo de uma primeira contaminação. Com a informação em mãos, governos também poderão tomar medidas nas fronteiras para evitar que viajantes doentes propaguem o vírus, como conta David Redding, principal autor do estudo.

De acordo com o cientista, é essencial que as pessoas busquem entender todos os fatores que podem causar a contaminação da doença, que envolvem desde mudanças sociais até o comportamento animal mediante à alteração do clima.

Simulação de informações obtidas pelo modelo computacional (Imagem: Reprodução/Nature)

O modelo matemático usado para a detecção de possíveis surtos de ebola considera diferentes cenários, estudando também maneiras de reduzir a desigualdade, crescimento populacional e as emissões de gases de efeito estufa. 

O método criado pelos cientistas mostra também toda a complexidade por trás da detecção de problemas que, consequentemente, provocam uma epidemia. Para entender tudo isso, os tópicos analisados pelo modelo computacional foram: mudanças climáticas, uso da terra, crescimento populacional e pobreza. 

Contaminação pelo vírus do ebola

A contaminação do ebola acontece quando a pessoa entra em contato com o sangue ou fluidos corporais de uma pessoa ou de animais infectados. Em 2014, quando houve um surto no oeste da África que matou 11.325 pessoas, os cientistas suspeitaram que a contaminação se espalhou por causa de morcegos. Os animais, quando afetados por problemas climáticos, entram em conflito com suas regiões de moradia e acabam aparecendo em áreas habitadas por humanos. 

Situações de pobreza também trazem mais riscos de contaminação, visto que não há hospitais e clínicas suficientes com os recursos necessários para evitar a propagação. Além do vírus da ebola, outras contaminações também têm suas hipóteses aumentadas pela mudança do clima, como dengue, zika e doença de lyme. 

O estudo completo está disponível para consulta online no site da Nature.

 

 

 

 

Fonte: The Verge via Nature

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