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Cientistas brasileiros imprimem minifígado em 3D — que funciona!

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Harvard Medical School
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Diante das filas e do tempo necessário para as doações de órgãos, cientistas no mundo todo buscam novas formas para aumentar a vida dos pacientes e diminuir o tempo de recuperação. Entre as novidades, está a impressão de órgãos em 3D, que mesmo ainda rudimentares, podem ajudar.

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Agora, um grupo de pesquisadores da USP desenvolveu um minifígado, capaz de exercer as funções típicas do órgão, como produção de proteínas, secreção e armazenamento de substâncias. Tudo a partir de células sanguíneas humanas.

Testada, a invenção permite a produção de tecido hepático em laboratório, no prazo de apenas 90 dias, o que pode vir a ser, no futuro, uma alternativa ao transplante de órgãos.

Para o desenvolvimento do minifígado, foram combinadas diferentes técnicas de bioengenharia, como reprogramação celular e produção de células-tronco, junto à bioimpressão 3D. Dessa maneira, o tecido impresso mantem as funções hepáticas por um período mais longo que o registrado em trabalhos anteriores, como está explicado no artigo publicado na revista Biofabrication.

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O processo completo de produção, que termina com a formação de um minifígado, envolve desde a coleta de sangue do paciente até a obtenção do tecido funcional e pode ser dividido em três etapas: diferenciação, impressão e maturação.

Entenda como funciona

No estudo brasileiro, o grupo de pesquisadores desenvolveu os órgãos, em miniatura, a partir de matéria-prima celular do sangue de três voluntários. Para isso, foram comparados marcadores, ao longo do processo, relacionados à funcionalidade, como manutenção de contato celular, produção e liberação de proteínas. Todos os marcadores alcançados com sucesso.

“Ainda existem etapas a serem alcançadas até obtermos um órgão completo, mas estamos em um caminho muito promissor. É possível que, em um futuro próximo, em vez de esperar por um transplante de órgão, seja possível pegar a célula da própria pessoa e reprogramá-la para construir um novo fígado em laboratório. Outra vantagem importante é que, como são células do próprio paciente, a chance de rejeição seria, em teoria, zero”, afirma uma das responsáveis pela invenção, Mayana Zatz.

O sucesso da criação está em como foram incluídas as células do órgão na biotinta, que é usada para formar o tecido na impressora 3D. “Em vez de imprimir células individualizadas, desenvolvemos uma maneira de agrupá-las antes da impressão. São esses ‘gruminhos’ de células, ou esferoides, que constituem o tecido e mantêm a sua funcionalidade por muito mais tempo”, exemplifica Ernesto Goulart, o primeiro autor do artigo.

Com essa solução, a equipe contornou um problema recorrente na maioria das técnicas de bioimpressão de tecidos humanos, que é a perda progressiva do contato entre as células, o que acarreta na não formação do tecido.

Embora a invenção brasileira tenha se limitado à produção de fígados em miniatura, Goulart enxerga a possibilidade de produzir órgãos inteiros, no futuro, para serem transplantados. “Fizemos em uma escala mínima, mas com investimento e interesse é muito fácil de escalonar”, conclui.

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Confira, a seguir, vídeo em que a equipe responsável explica a formação do minifígado: