Cientistas brasileiros criam nova droga contra câncer cerebral infantil

Por Wagner Wakka | 29 de Agosto de 2019 às 14h01

Uma nova droga pode ajudar no tratamento de um tipo específico de câncer em crianças de até 3 anos. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto Butantã provaram a eficácia de uma substância da glândula salivar do carrapato-estrela para o tratamento do ependimoma.

Este é um tipo de câncer infantil de evolução lenta, que ataca os ventrículos do cérebro. As consequências são tão severas que podem até levar à morte do paciente. Entre crianças de até 3 anos, 30% dos cânceres são deste tipo.

A substância foi batizada de Amblyomin-X, por conta do nome científico do carrapato-estrela, Amblyomma sculptum. Os pesquisadores testaram a substância em camundongos e em sistemas in vitro, para comprovar sua eficácia. Os medicamentos atuais chegam a inibir células tumorais em cerca de 30%, sendo que o Amblyomin-X alcançou um total de 70%.

As propriedades anticancerígenas do carrapato-estrela já são conhecidas pela medicina em outros tipos de tumores considerados mais agressivos, como o de pâncreas e o melanoma. É por esse motivo que os pesquisadores resolveram testar a eficácia também para o ependimoma.

Atualmente, a doença é tratada com cirurgia local para retirada do tumor, o que é seguido de radioterapia e quimioterapia. Mas isso não significa cura dos pacientes e pode deixar sequelas. “A gente fica sempre em busca de um medicamento para evitar as recidivas”, explica Sérgio Cavalheiro, da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp.

Lançamento

Apesar de mostrar a eficácia do produto, os pesquisadores ainda não têm como submeter a droga para ser enviada a pacientes. O problema, segundo Cavalheiro, é a falta de infraestrutura para mais análises. O grupo precisa emitir um dossiê para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com comprovação da produção da molécula do Amblyomin-X para escala industrial e estabilidade da fórmula.

“Não foi feito até hoje porque não tivemos infraestrutura ainda para produzir a proteína recombinante. Pelo menos aqui no Butantã, a gente está agora se organizando, não especificamente para esse, mas qualquer projeto que vier dessa mesma natureza. Mesmo a empresa que a gente tem parceria não tem essa infraestrutura”, explicou a coordenadora do Centro de Excelência para Descobertas de Alvos Moleculares, do Instituto Butantã, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi.

O grupo aguarda novos investimentos para seguir com a pesquisa.

Fonte: Agência Brasil

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