Após sucesso em humanos, esta pode ser a primeira vacina contra COVID-19

Após sucesso em humanos, esta pode ser a primeira vacina contra COVID-19

Por Fidel Forato | 18 de Maio de 2020 às 15h23
Pixabay

Ainda não há tratamento específico e nem uma vacina comprovada contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Por isso mesmo, grandes laboratórios espalhados pelos Estados Unidos, Europa e China trabalham, praticamente dia e noite, na produção de uma vacina imunizante contra a COVID-19. E ao que tudo indica, as respostas iniciais da primeira vacina testada em humanos são promissoras. 

De acordo com o que a empresa de biotecnologia e farmacêutica norte-americana Moderna anunciou nesta segunda-feira (18), a primeira etapa de testes foi completa de forma segura e conseguiu estimular uma resposta imunológica satisfatória contra o coronavírus. Sendo assim, a agência federal dos Estados Unidos, Food and Drug Administration (FDA), já liberou a segunda fase das pesquisas.

Resposta imunológica

Os resultados divulgados pela empresa foram baseados na reação das oito pessoas que primeiro receberam duas doses da possível vacina, isso a partir de março. Após a vacinação, essas pessoas (saudáveis) tiveram amostras do sangue coletadas e foram identificados anticorpos contra o coronavírus. Por sua vez, os anticorpos foram testados em células humanas, em laboratório, e impediram a replicação desse vírus com sucesso.

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Na primeira etapa da pesquisa, três doses da vacina foram testadas: baixa, média e alta. No entanto, as melhores respostas (tais como indica a empresa) foram baseadas nas dosagens baixas e médias, onde o único efeito adverso verificado foi vermelhidão e dor no braço de um paciente (no local onde injeção foi aplicada). Por isso, serão elas que continuarão nas próximas etapas do estudo.

Já com a alta dose, três pacientes testados tiveram febre, dores musculares e dores de cabeça, durante um dia após a vacinação. Mesmo assim essa dosagem deve ser eliminada de estudos futuros não pelos efeitos colaterais, mas porque as doses mais baixas funcionaram tão bem que a dose alta não é necessária. Além disso, quanto menor a dose, mais vacinas a farmacêutica poderá entregar.

Antes do teste em humanos, a Moderna realizou testes de eficácia em camundongos. Após infecção induzida pelo coronavírus, os pesquisadores descobriram que a vacina poderia impedir a replicação do vírus nos pulmões.

EUA podem sair na liderança, após sucesso da primeira etapa de testes de vacina em humanos (Foto: Ted S. Warren/AP)

Vacina em tempo recorde

De acordo com os pesquisadores, os níveis dos chamados anticorpos neutralizantes estavam na mesma proporção dos encontrados em pacientes que se recuperaram da COVID-19. A empresa ainda avisou que o cronograma segue acelerado e, em breve, iniciará a segunda fase da vacina, com 600 participantes. Nesse ritmo, em julho, a terceira fase deverá contar com a participação de milhares de pessoas saudáveis.

Caso as respostas imunológicas continuem sendo positivas, a vacina contra o coronavírus poderá ficar pronta para aplicação, em massa, até o final deste ano ou ainda no início de 2021, afirma Dr. Tal Zaks, diretor médico da Moderna. No entanto, não há previsões de quantas doses podem ser fabricadas em um primeiro momento. "Estamos fazendo o possível para chegar logo ao maior número possível de doses", explica Zaks.

Após a divulgação desses resultados iniciais, as ações da Moderna subiram mais de 23% nesta segunda-feira de manhã.

Fonte: New York Times

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