Conteúdos adultos podem trazer o impulso que faltava à realidade virtual

Por Carlos Dias Ferreira | 13 de Julho de 2018 às 21h00
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A relevância história do mercado de conteúdos adultos para a adoção de novas plataformas tecnológicas é inegável. Afinal, foi a pornografia que acabou por abrir passagem para o VHS (derrubando o Betamax) nos anos 1980. Também foram os gemidos ritmados de profissionais do nicho que deram a última cartada para colocar o DVD como o próximo formato de vídeos na década seguinte. Com a realidade virtual não haveria de ser diferente, portanto.

Produtoras como a estadunidense Naughty America ou o streaming Pornhub têm mostrado que as babás fogosas e os encanadores tarados podem, por fim, conferir à imersão virtual o status de plataforma tecnológica do futuro. A primeira, por exemplo, foi o primeiro negócio voltado a conteúdo adulto a garantir um espaço dentro do prestigiado Consumer Electronics Show, depois de uma ausência de 19 anos do setor.

“Nossos consumidores têm abraçado a realidade virtual”, disse Andreas Hronopoulos, CEO e proprietário da La Tourain (empresa-mãe da Naughty America) em entrevista ao Wall Street Journal. A estreia foi facilitada pelo surgimento do Oculus Rift, aparato de realidade virtual que receberia o primeiro filme adulto da produtora. “Isso torna tudo mais íntimo; não há nada parecido.”

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Crescimento de 433%

É claro que a base instalada de 6,1 milhões de Oculos Rifts também ajuda. Segundo Hronopoulos, até o final de 2016 a empresa já contava mais de 20 milhões de downloads de filmes projetados para o Rift. Como uma vantagem adicional: os espectadores do novo formato estavam muito mais dispostos a pagar mensalidades do que o público típico de conteúdos pornográficos convencionais (2D).

Como resultado, as assinaturas da Naughty America foram catapultadas em 55% no ano em que o novo formato estreou. Além disso, nos 18 meses seguintes ao lançamento do primeiro filme, o estúdio viu seu negócio de realidade virtual aumentar em 433%.

Dificuldade de distribuição

Apesar do pioneirismo da Naughty America e da velocidade com que o público de conteúdos adultos tem adotado a realidade virtual, o estúdio diz encontrar dificuldades para encontrar parcerias na hora de distribuir os conteúdos. E dinheiro não poderia ser o problema, já que estimativas contidas projetam o surgimento de uma indústria pornô VR de US$ 1 bilhão em 2020 — que ainda se beneficia da dificuldade de piratear conteúdos, dada a especificidade das plataformas exigida para assistir.

O motivo parece ser mais político. Afinal, é difícil encontrar provedores de tecnologia ansiosos para ligar suas marcas à produção de material pornográfico. “Muitas dessas companhias grandes têm receio de se associar com o pornô”, disse o diretor de informação da Naughty America, Ian Paul, ao WSJ. “Parece-me que a principal preocupação é que menores de idade tenham acesso ao conteúdo, mas nós temos pay-per-view em TVs a cabo há anos, então não é nada que não se possa resolver tecnologicamente.”

Para o executivo, entretanto, a aliança entre VR e o mercado de filmes adultos parece ser inevitável. “Se você olhar para a história da tecnologia, verá que sempre que alguém se opôs à pornografia, esse alguém perdeu.”  Ele acredita que tudo seja mais uma questão de tempo.“[Essa adoção] vai acontecer, é apenas uma questão de quando”, conclui Paul.

Fonte: Wall Street Journal

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