Robôs policiais lutam contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro

Por Redação | 18 de Abril de 2017 às 15h56

Nesta terça-feira (18), o Wall Street Journal divulgou uma matéria sobre o uso de robôs pela polícia do Rio de Janeiro na luta contra o tráfico de drogas. De acordo com as informações, mesmo passando por uma grave crise econômica, o esquadrão antibomba da capital fluminense continua servindo como modelo de tecnologia para toda a América do Sul.

Além de inspecionar pacotes suspeitos em estações de metrô e outras ameaças de bomba em toda a cidade, os robôs ajudam a polícia a enfrentar os grandes traficantes que controlam o crime nos morros do Rio de Janeiro. São os protótipos que fazem, por exemplo, o trabalho perigoso de remover e detonar as granadas que os narcotraficantes acabam deixando para trás durante as brigas com a polícia e outras gangues.

Importante lembrar que robôs e drones vêm desempenhando papéis semelhantes em todo o mundo. Auxiliando o trabalho das autoridades, as máquinas têm revolucionado a atuação da polícia em diversos países, não só no combate ao crime, mas também para garantir a segurança dos próprios profissionais. Segundo Marcelo Corrêa, chefe do esquadrão antibomba carioca, a necessidade do uso da tecnologia é imprescindível para o dia a dia. "O robô é uma peça fundamental do equipamento — é vital para o nosso trabalho diário", explicou.

Apesar das aplicações, o jornal norte-americano sugere que a experiência do Brasil mostra a dificuldade que os países mais pobres enfrentam para conseguir desfrutar plenamente da tendência. Na realidade, especialistas defendem que o avanço na área só foi possível por conta dos eventos esportivos sediados em território brasileiro nos últimos anos, como a Copa do Mundo de futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos, no ano passado.

Com o objetivo de combater possíveis atos terroristas durante os eventos, o Brasil assinou um contrato de 7,2 milhões de dólares com a Endeavour Robotics para a aquisição de 30 robôs PackBot 510. De acordo com as informações, os protótipos foram divididos entre departamentos da polícia de todo o país e praticamente não foram utilizados durante as competições esportivas.

Mas como já era de se imaginar, a violência cotidiana do país tem aberto caminhos para a implementação das máquinas na rotina dos policiais. De acordo com Corrêa, os principais problemas, pelo menos até o momento, estão relacionados à falta de financiamento. Dessa forma, mesmo com toda a utilidade da tecnologia, o esquadrão antibomba considera a utilização dos robôs como um fator de luxo reservados às forças policiais dos países ricos.

A situação dos robôs policiais no Brasil ainda é tão precária que Marcelo Corrêa continua treinando sua equipe para não confiar no protótipo. O motivo? Em breve, provavelmente a força policial do Rio não poderá mais contar com a tecnologia. Apesar dos PackBots terem vindo equipados com baterias poderosas, a garantia da fabricante já terminou. Isso significa que se o robô apresentar qualquer problema, provavelmente acabará dentro de algum depósito.

Fonte: The Wall Street Journal