Robôs de quatro patas podem substituir cães-guias no futuro

Robôs de quatro patas podem substituir cães-guias no futuro

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 19 de Abril de 2021 às 18h20
Berkeley University

Cientistas da Universidade Berkeley, nos EUA, programaram um robô de quatro patas para que ele desempenhasse as mesmas funções de um cão-guia. Apesar de ainda não possuir uma aparência muito amigável, ele cumpriu o papel muito bem.

Os testes foram feitos com um robô desenvolvido pela Boston Dynamics conhecido como Mini Cheetah. Ele já vem equipado com lasers e câmeras de alta precisão que permitem o mapeamento do ambiente em tempo real. Sensores ajudam na hora de desviar de obstáculos e evitar colisões.

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Para que o robô tivesse as mesmas características de um cão-guia, os pesquisadores adaptaram uma coleira, que dá mais controle ao condutor e uma câmera que detecta a presença de humanos durante o percurso. Esse dispositivo é fundamental para dar ao cão-robô os dados sobre a localização da pessoa que ele está conduzindo.

“O robô e a pessoa trabalham juntos para se mover de um local para o outro. Primeiro, um mapa que descreve o caminho que o cão deve seguir é baixado instantaneamente para o cão-robô. O mapa também inclui detalhes do terreno para ajudar a dupla a chegar ao destino”, explica o professor Zhongyu Li.

Pedigree

O cão-robô pesa aproximadamente 25 kg e é totalmente elétrico. Em condições normais de uso, uma carga de bateria pode durar até 90 minutos. A tecnologia desenvolvida pela Boston Dynamics dá ao Mini Cheetah uma grande autonomia espacial para que ele consiga caminhar em qualquer terreno.

Como um cão-guia de verdade, o robô utiliza um conjunto de sensores para orientar o usuário por meio de uma guia comum, como aquelas usadas por pessoas com deficiência visual. Essa guia pode ser esticada ou afrouxada para que o robô consiga conduzir um cego tanto em linha reta quanto em curvas fechadas.

Mini Cheetah "imita" cão-guia de verdade (Imagem: Reprodução/Berkeley University)

Alta demanda

Os cães-guias trazem grandes benefícios sociais, físicos e mentais para pessoas cegas, mas o número de animais aptos a desempenhar essa função ainda é pequeno. Nos EUA uma pessoa pode esperar de dois a três anos por um cão-guia treinado. Aqui no Brasil, segundo dados do IBGE, existem cerca de seis milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual e apenas 200 cães-guias.

Espera na fila por um cão-guia pode levar até três anos (Imagem: Reprodução/Envato)

Além do tempo de espera, o treinamento de um cão-guia é caro. De acordo com o Instituto Íris, uma das instituições especialistas em cães-guia no Brasil, o custo para preparar e doar um animal é de aproximadamente R$ 35 mil. As pessoas cegas ou com baixa visão não pagam nada pelo cachorro, mas o custo de preparação inviabiliza que outros treinadores invistam nesse tipo de negócio.

E o substituto robótico?

Por enquanto os cães-guias robotizados apresentaram um excelente potencial, mas o hardware ainda possui um preço muito longe da realidade da maioria das pessoas com alguma deficiência visual.

“O robô tem o potencial de reduzir o tempo e as despesas do treinamento de cães-guias, mas para que ele se torne uma alternativa viável é preciso baratear os custos de produção, que hoje estão na casa dos milhares de dólares”, completa o professor Li.

A ideia é que no futuro, além de guiar, os cães eletrônicos possam ter outras funções como sincronizar calendários com smartphones, definir rotas, sugerir caminhos e levar os donos em segurança até o destino. Antes que tudo isso aconteça eles precisam ser tratados como item essencial e não como objeto de luxo.

O que você acha dos cães-guias robotizados? Comente.

Fonte: Berkeley University

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