Pele eletrônica promete tempo de resposta mil vezes mais rápido que a humana

Por Rui Maciel | 25 de Julho de 2019 às 10h30
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Uma equipe de pesquisadores da Universidade Nacional de Cingapura (NUS) está desenvolvendo um sistema nervoso artificial que englobará uma pele eletrônica cujo tempo de resposta para o toque será até mil vezes mais rápido que a pele humana. Com isso, robôs poderão reagir a uma sensação de toque de forma muito mais eficiente.

Com o nome de Electronic Asynchronous Coded Electronic Skin (ou ACES, sigla em inglês para "pele eletrônica codificada eletronicamente de forma assíncrona"), o sistema de pele eletrônica alcançou uma capacidade de resposta extremamente rápida, além de ser bastante robusta contra danos. Além disso, ela consegue operar em conjunto com qualquer tipo de camada de sensores.

Já o sistema nervoso eletrônico traz uma rede de sensores conectados por meio de um único condutor elétrico que percorre toda a estrutura robótica. Além disso, ele se difere das peles eletrônicas existentes, que trazem sistemas de fiação interligados, o que pode gerar mais danos mecânicos se comparado a tecnologia do ACES.

ACES: sistema nervoso eletrônico reage de forma muito mais rápida (Imagem: Benjamin C.K. Tee/NUS)

Durante os testes com o ACES, os pesquisadores constaram que a nova pele eletrônica consegue "sentir" toques cerca mil vezes mais rápido que o sistema nervoso de um ser humano. Ela consegue distinguir, por exemplo, contatos físicos entre diferentes sensores em menos de 60 nanossegundos. Essa marca é a mais rápida já alcançada por uma pele eletrônica, mesmo se comparada àquelas que contavam com um maior número de sensores. Além disso, o ACES consegue identificar com precisão a forma, a textura e a dureza dos objetos em apenas 10 milissegundos. Para efeito de comparação, isso é 10 vezes mais rápido do que o piscar de um olho.

Além disso, o ACES pode resolver um problema que muitos pesquisadores na área de robótica não conseguem: detectar o formato e a consistência dos objetos. Para comprovar isso, a equipe da NUS fez um experimento com um retalho da pele artificial recobrindo o polegar de uma mão robótica. Isso aperfeiçoou a capacidade do robô para pegar e entregar uma xícara de café sem deixá-la escorregar, porque ele podia sentir imediatamente quando pegava ou soltava a peça.

A pele eletrônica que compõe o ACES pode ter uma série de usos. Entre eles há o desenvolvimento de robôs que podem ser usados para tarefas de recuperação e salvamento em zonas de desastres ou assumir operações do dia a dia, como a embalagem de itens em armazéns.

Fonte: Inovação Tecnológica

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