Homem com braço robótico controlado pela mente está aprendendo a tocar piano

Por Jessica Pinheiro | 05 de Junho de 2018 às 14h14

Depois de ter perdido a parte inferior de seu braço por conta de um câncer em 2008, Johnny Matheny, um motorista de entregas, vem tentando se reerguer e continuar a sua vida da melhor maneira possível. Para ajudar nessa tarefa, ele primeiramente se submeteu a uma cirurgia chamada TMR e, depois, recebeu uma prótese diferente, que funciona em conjunto com um wearable. Este último é responsável por medir os impulsos nervosos e assim, unir o controle mental e os músculos. Tudo isso foi batizado de “Reencenação Muscular Direcionada”.

Apesar do acessório estar ajudando a preencher a lacuna entre a ação ordenada pelo cérebro e o movimento dos músculos, executar tarefas diárias não é fácil e nem rápido. Todavia, Matheny acredita que ele e seu braço mecânico estão vivendo em uma espécie de relacionamento. “Esta não é apenas uma prótese e nós não estamos apenas juntos, nós somos um só”, disse o homem à Quartz. Ele é também a primeira pessoa a viver com um braço robótico avançado e controlado pela mente, e, apesar das dificuldades, ele tem conseguido cozinhar e cuidar do jardim de casa.

Além disso, uma das metas pessoais de Matheny também é aprender a tocar piano, e até o fim deste ano ele espera ter dominado a canção Amazing Grace. “É um pouco difícil e doloroso, mas você sabe, se quiser fazer com que a relação perdure, precisa ser paciente”, ele acrescenta. O homem faz parte de um projeto de pesquisas que está sendo conduzido pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, há mais de um ano.

O acessório MYO da Thalmic Labs controla dispositivos eletrônicos através dos sinais nos músculos do antebraço, transmitindo ondas nervosas. (Imagem: CBC)

A iniciativa é, em partes, financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A base para tudo começou com militares americanos há mais de uma década, quando tentaram criar um membro robótico que pudesse substituir uma mão ou um braço humano.

Pelos últimos cinco meses, Matheny tem vivido com o braço robótico mais avançado do mundo até então. O estudo com ele, visa observar como está sendo a adaptação e usabilidade do artefato em tarefas simples, domésticas, e até mesmo artísticas – no caso, a meta de aprender a tocar piano. Os testes se estenderão por um ano.

Ao longo dos primeiros meses de 2018, Matheny experimentou diversas dificuldades técnicas, e precisou até mesmo enviar o braço robótico para o laboratório da universidade três vezes para reparos. Alguns ajustes o próprio homem consegue fazer, mas quando é preciso mexer no software, ele conversa diretamente com Robert Arminger, o pesquisador chefe do projeto.

Matheny deseja tocar a canção gospel Amazing Grace no piano até o fim deste ano e vem praticando bastante, mesmo enfrentando dificuldades técnicas. (Imagem: Twitter)

Mesmo a uma distância considerável de Matheny, Arminger se conecta ao braço remotamente e soluciona o problema enquanto os dois conversam por FaceTime, melhorando assim os movimentos ou a velocidade do membro mecânico. Apesar dos pesares, faz parte do plano que esses ajustes ocorram, uma vez que o aprendizado inclui não apenas observar como o a criação funciona, mas também a melhor forma de consertá-la quando necessário.

A cada dois meses, Matheny também visita o laboratório em Maryland para ajustes mais aprimorados e, enquanto ele conversa com Arminger para saber as novidades que serão implantadas, modificadas ou retiradas, a equipe de engenharia trabalha simultaneamente com várias partes do braço para poupar algum tempo. Nesse meio tempo, o homem também dá feedbacks ao grupo de pesquisas, para, ao longo do tempo torná-lo cada vez melhor.

Fonte: Quartz, CBC

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