YouTube enfurece criadores ao desmonetizar vídeos sobre o novo coronavírus

Por Claudio Yuge | 04 de Março de 2020 às 21h20
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Conteúdos sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2) estão em todos os lugares, mas pode ser que você tenha notado um certo sumiço sobre esse tema nas sugestões do YouTube. Isso porque, segundo os próprios criadores, a própria plataforma vem desmonetizando os vídeos que falam sobre o tema.

"No vídeo de hoje, não vou comentar diretamente as notícias recentes relacionadas à saúde, porque A, não sou profissional de saúde e, B, não preciso do meu vídeo desmonetizado", diz Linus Sebastian, apresentador da Linus Tech Tips, no início de uma gravação recente. Segundo outros usuários, mesmo evitando a palavra “coronavírus” ou abreviando como “CV”, o material acabou perdendo sua receita.

Vale destacar que o YouTube desmonetizou vídeos sobre assuntos sensíveis no passado. As diretrizes de publicidade da empresa afirmam que tópicos confidenciais — geralmente um caso recente com "perda de vidas, normalmente como resultado de um ataque malicioso pré-planejado" — normalmente não são adequados para rodar anúncios. Esses vídeos podem permanecer na plataforma, mas simplesmente não podem ganhar dinheiro com o serviço de anúncios interno. O YouTube disse que o surto de coronavírus agora está sendo considerado um tópico delicado. "Como tal, todos os vídeos focados neste tópico serão desmonetizados até novo aviso", disse Tom Leung, diretor de produtos do YouTube, em um vídeo recente. A política existe para proteger os anunciantes.

A escalada da epidemia e episódios recentes têm incluído o assunto nessa lista da plataforma. Mais de 95 mil casos da doença COVID-19 foram relatados em todo o mundo, e as mortes já passam de 3,2 mil pessoas. Os temores sobre a disseminação do vírus levaram os organizadores de grandes conferências de tecnologia a cancelar ou adiar os eventos, incluindo o Google I/O, o Facebook F8 e a Game Developers Conference. Os parques temáticos da Disney fecharam em toda a Ásia e mais escritórios estão dizendo aos funcionários para ficar em casa.

Episódio reacende discussão sobre preferências da plataforma

Nem todo mundo é desmonetizado, especialmente em novos canais de notícias que geralmente veiculam tópicos sensíveis com anúncios fornecidos por eles mesmos. Esse problema reacende uma discussão polêmica sobre as diretrizes do YouTube, que dá regalias para fontes consideradas premium e da “lista branca” (os que trazem suas próprias ofertas de publicidade).

Em 2017, por exemplo, Casey Neistat e Philip DeFranco fizeram vídeos sobre um tiroteio em massa em Las Vegas, que deixou mais de 50 mortos. A ideia seria doar o dinheiro arrecadado com os anúncios para diferentes instituições de caridade. O YouTube desmonetizou esse material, mas continuou a permitir o conteúdo em canais como Jimmy Kimmel Live.

Imagem: Reprodução/YouTube

Em resposta ao The Verge, a empresa afirmou que “existem políticas específicas que governam os tipos de vídeos que podem ter anúncios e elas são aplicadas sem preconceito”. O YouTube também disse que, se o canal de um criador de conteúdo for dedicado a assuntos delicados, ele poderá monetizar as novas histórias sobre o coronavírus.

O YouTube tem esse “carinho especial” com os anunciantes porque em 2019 faturou nada menos do que US$ 15 bilhões em receita — por isso, é fundamental trabalhar próximo aos clientes e colocar estrategicamente sua publicidade no conteúdo.

Fonte: The Verge  

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