E quem já morreu? Twitter volta atrás e não vai mais desativar contas inativas

Por Nathan Vieira | 27 de Novembro de 2019 às 17h38
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Na última terça-feira (26), o Twitter começou a enviar e-mails para proprietários de contas inativas com um aviso: se até 11 de dezembro não entrar na conta, o nome de usuário estará disponível novamente e a conta em questão terá sido removida. Isso vale para qualquer conta que tenha ficado inativa por mais de seis meses. Essas contas inativas não precisam twittar nada para evitar a remoção: devem apenas fazer login. Sendo assim, mesmo que o nome de usuário desejado pareça muito inativo com base nos tuítes, quem o possui ainda pode segurá-lo com bastante facilidade, apenas ao entrar na conta.

"Olá. Para continuar usando o Twitter, você precisará concordar com os Termos, Política de Privacidade e Uso de Cookies atuais. Isso não apenas permite que você tome as melhores decisões sobre as informações que você compartilha conosco, mas também permite que você continue usando sua conta do Twitter. Mas primeiro, é necessário fazer login e seguir as instruções na tela antes de 11 de dezembro de 2019, caso contrário, sua conta será removida", diz o e-mail enviado para os usuários.

No entanto, por mais que essa novidade tenha feito a alegria daqueles que já têm um nome de usuário em mente que está sendo utilizado por uma conta inativa, o caso teve repercussão negativa pelo seguinte motivo: as contas das pessoas que morreram serão simplesmente excluídas, porque diferente do Facebook, o Twitter não conta com o recurso de tornar a conta "em memória de". Na prática, esses usuários que morreram terão suas contas removidas a menos que um ente querido ou outra pessoa já possua seus detalhes de login e possa entrar na conta para aceitar a mais recente política de privacidade da rede social em questão.

O Twitter é uma rede social usada para manifestar opiniões e pensamentos, e muitos usuários visitam as contas de seus parentes que já morreram para ler os tuítes e lembrar de momentos específicos, lembrar de como era a personalidade daquela pessoa. Parando para pensar, a novidade de desativação de contas tiraria isso dessas pessoas. A política atual do Twitter oferece apenas a desativação da conta de uma pessoa morta depois que um terceiro confiável — um pai, por exemplo — provar sua identidade. No entanto, a política afirma que, em nenhuma circunstância, o Twitter concederia acesso à conta, o que nesse caso seria uma solução para impedir a exclusão. O Facebook, por sua vez, congela a conta e proíbe novas interações — uma medida para evitar abusos, por exemplo. Mesmo assim, o perfil da pessoa continua lá, e a família segue tendo acesso às histórias, às fotos, às publicações, etc.

Repercussão e resposta do Twitter

Um redator do portal norte-americano Tech Crunch, Drew Olanoff, fez um apelo chamado "Você vai levar os tuítes do meu pai só por cima do meu cadáver", em que disse o seguinte: "A conta do Twitter do meu pai não está ativa. Ele morreu há mais de quatro anos. Meu pai tuitava casualmente, na melhor das hipóteses. (...) Ainda leio seus tweets e, de tempos em tempos, ainda os compartilho. É o meu jeito, estranho ou não, de lembrar dele. Mantendo seu espírito vivo, e o Twitter está varrendo [as postagens] como papel amassado e lixo".

Com esse tipo de repercussão em mãos, a conta oficial de suporte do Twitter trouxe à tona a sua resposta: "Ouvimos seus comentários sobre nossos esforços para excluir contas inativas e queremos responder e esclarecer. Está acontecendo o seguinte: Isso afeta as contas apenas na União Europeia, por enquanto. Sempre tivemos uma política de conta inativa, mas não a aplicamos de forma consistente. Estamos começando com a União Europeia em parte devido a regulamentos de privacidade locais".

Em tuítes seguintes, a rede social ainda se desculpou pela situação: "Pedimos desculpas pela confusão e pelas preocupações que causamos e o manteremos informado. Podemos ampliar a aplicação de nossa política de inatividade no futuro para cumprir outras regulamentações em todo o mundo e garantir a integridade do serviço. Vamos nos comunicar com todos vocês, se o fizermos. Ouvimos você sobre o impacto que isso teria nas contas do falecido. Foi uma falha da nossa parte". E o veredicto foi esse: "Não removeremos nenhuma conta inativa até criarmos uma nova maneira de as pessoas memorizarem as contas".

Fonte: BBC, Tech Crunch

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