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Sem consentimento, pesquisas de reconhecimento facial usam selfies do Instagram

Por| 19 de Maio de 2020 às 15h17

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(Imagem: Reprodução/Pixabay)
(Imagem: Reprodução/Pixabay)
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Empresas de tecnologias de reconhecimento facial estão usando fotos de pessoas com máscaras em redes sociais para testar seus algoritmos. Desde o início da pandemia, a utilização de máscaras cresceu, ou tornou-se obrigatória (como em algumas partes do Brasil), inutilizando sistemas de reconhecimento facial.

O que acontece é que as máscaras (quando colocadas corretamente) tapam grande parte do rosto do usuário, escondendo pontos importantes para análise facial. Para criar sistemas capazes de identificar pessoas mesmo neste cenário, empresas estão buscando refinar seus algorítimos, e para isso, precisam atualizar seus bancos de dados com várias fotos de pessoas usando máscaras.

Segundo levantamento do CNET, pesquisadores e desenvolvedores já estão compartilhando repositórios de fotos coletadas em redes sociais, principalmente no Instagram. Em um deles, chamado COVID-19 Mask Image Dataset, há um conjunto de 1.200 selfies de pessoas com máscaras compartilhadas no Github, repositório voltado a desenvolvedores. Um grupo chinês também já compartilhou um arquivo com 5 mil fotos de pessoas mascaradas, também na plataforma.

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O conjunto foi compartilhado exatamente para que outros pesquisadores possam usá-lo em seus estudos. O pacote foi criado por uma empresa de inteligência artificial chamada Workaround.

Pode isso? 

Segundo os pesquisadores, as imagens foram publicadas pelos próprios usuários e, por isso, podem ser usadas livremente nas pesquisas. “Temos estas imagens públicas do Instagram, então elas não são privadas. Nós só estamos buscando e levantando dados”, defende Wafaa Abash, CEO da Workaround, em resposta ao CNET. Contudo, ainda não há uma lei específica que possa decidir sobre tal utilização, nem mesmo nos Estados Unidos.

Para driblar este problema, algumas companhias que estão estudando estas tecnologias estão pedindo ajuda para seus próprios funcionários e familiares para levantarem estas fotos. Eles mesmos produzem selfies em vários cenários com e sem máscara para ajudar nas pesquisas.

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Já outros trabalhos, como a do US National Institute of Standards and Technology, estão criando digitalmente estas fotos, colocando máscaras sobre imagens que já possuem em seus arquivos. Contudo, a organização ainda não sabe precisar se ou o quanto isso prejudicaria o trabalho como um todo.

O principal problema está no alto número de variáveis de fisionomia. Para refinar o algoritmo, empresas precisariam de uma quantidade alta de fotos de pessoas de diferentes etnias, gêneros e em condições distintas. Assim, várias fotos de uma mesma pessoa não surte o mesmo efeito que de diferentes usuários.

Em entrevista para o CNET, ainda, Arbash disse que coletou mais de 3 mil fotos do Instagram buscando pela #mask (máscara, em inglês). Foi por estes resultados que chegou às 1.200 imagens compartilhadas no Github. Em nenhum momento, ele pediu a utilização das fotos para os donos nas redes sociais. “O objetivo e intenção é ajudar engenheiros de ciência de dados e machine learning que estão trabalhando para arrumar este problema e ajudar com saúde pública”, comentou Arbash. Ele ainda ressalta que não está ganhando dinheiro com isso.