Seguidores da Huawei acreditam que empresa é comandada pelo governo chinês

Seguidores da Huawei acreditam que empresa é comandada pelo governo chinês

Por Rafael Arbulu | 06 de Agosto de 2019 às 12h57
Reuters

A Huawei rodou uma enquete descompromissada no Twitter, perguntando aos seus seguidores quem eles acham que controla a empresa: para a sua surpresa, 42% de seus seguidores apostam que ela é subalterna ao governo chinês.

Por meio da hashtag #WhoRunsHuawei, a fabricante asiática usou a ferramenta de enquetes do Twitter para perguntar “Quem comanda a Huawei?” e posicionando as opções “Governo”, “Instituições financeiras”, “Consórcios” e “Funcionários”. Os resultados podem ser conferidos abaixo:

No passado, a Huawei afirmou que era 100% de propriedade dos seus funcionários, aludindo que o controle da empresa tinha percentuais pulverizados em seu quadro de empregados, em graus variados de acordo com a função executada. Entretanto, esse esquema acionário tem ressalvas: as ações são totalmente intransferíveis ou direcionadas a não empregados e, no caso de algum funcionário deixar a empresa, a Huawei compra de volta essas ações. A princípio, isso pode parecer óbvio, mas também implica, por exemplo, em não beneficiar familiares de empregados com qualquer benesse decorrente desse esquema.

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Por isso, o resultado da enquete não é de todo surpreendente: segundo informações publicadas pelo jornal americano The New York Times, a Huawei tem quase 100% de seu controle atribuído a uma associação comercial chinesa (99%), sendo que o restante é propriedade do atual CEO e cofundador da empresa, Ren Zhengfei. Dado o fato de que associações comerciais na China são relacionadas diretamente ao governo, a enquete da Huawei resultou na mesma atribuição por parte de seus fãs.

A Huawei se defende dessa percepção dizendo que a propriedade da associação comercial é “uma conveniência legal” e que ela não possui nenhuma influência nos negócios da companhia, segundo o secretário-chefe da diretora da empresa, Jiang Xisheng.

Ren Zhengfei, cofundador e atual CEO da Huawei: executivo detém, oficialmente, 1% de propriedade da empresa, com os outros 99% pertencendo a uma associação comercial chinesa

Uma percepção parecida levou a gigante chinesa à lista negra de companhias sob o crivo dos Estados Unidos: em maio deste ano, o presidente Donald Trump emitiu ordem executiva proibindo empresas americanas de fazerem negócios com a Huawei, acusando a fabricante asiática de ter laços fortes com o governo chinês e valer-se dessa relação para espionar a indústria norte-americana. A Huawei, evidentemente, negou e ainda nega todas as acusações.

Atualmente, a ordem executiva encontra-se rescindida e todas as operações comerciais com a Huawei podem ser retomadas, se as empresas americanas assim desejarem. Entretanto, segundo diversos relatos, a tratativa das inúmeras juntas comerciais americanas para com a gigante chinesa ainda não mudou.

Fonte: Huawei (via Twitter); The New York Times

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