Reuters se junta ao Facebook no combate à desinformação na rede social

Por Diego Sousa | 12 de Fevereiro de 2020 às 15h35
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Depois de críticas e escândalos, o Facebook continua trabalhando pesado para combater o problema da desinformação na rede social. E agora a plataforma de Mark Zuckerberg se junta a mais uma agência para adicionar uma camada extra na verificação dos fatos: a conhecida Reuters. A editora lançou, nesta quarta-feira (12), a implementação da unidade Reuters Fact Check, anunciando que se tornará um dos parceiros para desmascarar informações e conteúdos falsos no Facebook.

Inicialmente, a equipe do Reuters Fact Check será composta por quatro pessoas, duas localizadas na cidade de Washington DC (EUA) e as outras duas na Cidade do México (MEX). Eles ficarão responsáveis por analisar vídeos e fotos dos usuários, bem como manchetes de notícias e outros conteúdos em inglês e espanhol, enviados pelo Facebook ou sinalizados pela editoria da Reuters em geral. Após a análise, eles publicarão suas descobertas no blog na unidade, listando a alegação principal e explicando por que ela é falsa, parcialmente falsa ou verdadeira. A partir das conclusões, o Facebook atuará dentro da rede social para determinar tais postagens como falsas e, assim, limitar sua propagação no feed de notícias.

Blog da Reuters Fact Check (Foto: Reprodução/TechRunch)

Hazel Baker, chefe global da Reuters UGC Newsgathering, disse que a equipe de verificação de fatos atuará separadamente da equipe de verificação de mídia, composta por 12 pessoas, embora os dois times tendem a compartilhar dos aprendizados obtidos. Segundo ela, a Reuters Fact Check analisará em todo espectro de formatos de desinformação.

“De um lado, há o conteúdo que não é manipulado, mas perdeu o contexto, como vídeos antigos e reciclados. Em seguida, há fotos e vídeos editados de maneira simplista, que podem ser mais lentos, acelerados, emendados ou filtrados. Depois, há mídia encenada (fake) ou forjada, como um vídeo ou áudio gravado e atribuído maliciosamente a um político. Por fim, as imagens geradas por computador que podem inventar conteúdo ou adulterar itens falsos em um vídeo real, os chamados deepfakes”, disse, afirmando que este último leva mais tempo para checar.

Baker ainda comenta que, à medida que as eleições americanas se aproximam, espera que a equipe de verificação de fatos aumente, pois o trabalho nesse período costuma ser pesado, inclusive na plataforma, onde já houve problemas durante a última eleição.

A Reuters se junta à lista de parceiros de verificação de fatos dos EUA, que incluem as agências: The Associated Press, PolitiFact, Factcheck.org e quatro outros. O Facebook oferece verificação de fatos em mais de 60 países, embora muitas vezes com apenas um parceiro, como as agências locais da Agence France-Presse.

Ao TechRunch, Hazel Baker diz reconhecer as críticas em relação à lentidão do Facebook para analisar e direcionar apropriadamente fakenews e mídias falsas. Por isso, a equipe analisará não só o conteúdo enviado pela rede social, mas as sugestões da editoria da própria Reuters.

"Uma coisa que temos como vantagem da Reuters é o entendimento da importância da velocidade", comenta a head.

Interface do Facebook (Foto: Reprodução/TechRunch)

Segundo o Facebook, quando os algoritmos identificam um conteúdo considerado falso, a rede social pode reduzir em 80% a propagação desse material no feed de notícias. Entretanto, isso não responde por todas as visualizações recebidas antes da checagem, bem como a verificação em um longa fila de conteúdos suspeitos para moderar. É nesse ponto que a Reuters Fact Check entra.

Por fim, um assunto delicado que Baker prefere não entrar em detalhes é a crítica generalizada à política do Facebook de se recusar a checar anúncios políticos. “Nós não comentaríamos sobre essa política do Facebook. Em última análise, isso depende deles”, finaliza.

A inclusão de uma agência tão renomada quanto a Reuters no combate à desinformação é um passo na direção certa. Mas a plataforma continua lutando para corrigir graves erros do passado relacionados à segurança. Grandes gastos com moderadores de conteúdo, engenheiros de segurança e melhorias nas políticas diminuíram seu crescimento de receita líquida de 61% ano a ano, no final de 2018, para apenas 7% no último trimestre. Esse é um compromisso quantificado com a melhoria. No entanto, desaparecer com esse tipo de problema é um planejamento a longo prazo.

Para verificar o blog da Reuters Fact Check na íntegra, acesse a página oficial da unidade.

Fonte: TechRunch

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