Postagens que prometem milagres de saúde serão rebaixadas pelo Facebook

Por Rafael Arbulu | 02 de Julho de 2019 às 15h40
Tudo sobre

Facebook

Saiba tudo sobre Facebook

Ver mais

O Facebook anunciou que vai rebaixar postagens que contenham afirmações não oficiais sobre a saúde, ou mesmo anúncios e publicações que contenham promessas de cura ou milagre relacionado ao tratamento de doenças. A ideia é coibir desinformação e proliferação de material que não tenha o aval de órgãos oficiais de saúde, contribuindo para que a população não engaje em tratamentos sem a devida comprovação científica e tome riscos perigosos.

No passado, o Facebook (bem como outras plataformas sociais) já foi acusado de priorizar conteúdos que prometiam a cura milagrosa para o câncer, colocando esse tipo de postagem acima de informações verídicas compartilhadas por órgãos oficiais de saúde. O YouTube também já passou por essa mesma situação ao ser acusado de promover vídeos que afirmavam que alvejante seria uma cura para o autismo.

O anúncio, segundo o Facebook, também se estende para conteúdo compartilhado por grupos antivacina, que tomaram um crescimento consistente nos últimos dois anos.

A rede social não confirma nem nega a informação, mas o atual anúncio parece ter sido emitido em resposta a uma reportagem do Wall Street Journal, onde o periódico norte-americano afirmou que plataformas como YouTube, Facebook e outras redes sociais estariam “inundadas com desinformação e afirmações amplamente falsas de saúde”, colocando em risco a vida de seus usuários.

Facebook anunciou medidas de moderação que prometem reduzir a influência de conteúdos falsos de saúde

No Brasil, no começo de 2019, alguns posts em grupos fechados indicavam que pais estariam administrando uma substância conhecida como MMS (do inglês, Miracle Mineral Suplement, ou “Suplemento Mineral Milagroso”, na tradução livre), segundo matéria do jornal Gazeta do Povo.

Algumas imagens foram usadas para ilustrar os “resultados”, mas órgãos oficiais de saúde como a Anvisa, aqui, e a FDA, nos EUA, alertaram para o risco de que, não apenas a afirmação de cura para o autismo é inverídica, mas como o MMS — que, essencialmente, é um derivativo industrial do cloro — é altamente corrosivo. Pais estariam administrando-o em seus filhos por via oral e anal, via supositórios. Essa é uma fake news requentada de 2017, quando os primeiros relatos do assunto começaram a aparecer.

“A fim de ajudar as pessoas a obterem informações precisas de saúde bem como todo o apoio que precisam, é imperativo para nós minimizarmos conteúdo de saúde que seja sensacionalista ou enganoso”, disse o gerente de produto do Facebook, Travis Yeh, em um post no blog da plataforma.

Yeh detalha que, no último mês, o Facebook vem fazendo “atualizações de duas camadas” em sua plataforma, especificamente voltando a sua atenção para posts que mostrem intenção de vender algum produto ou serviço — desde alguma pílula milagrosa até algum tratamento não sancionado.

“Em nosso contínuo esforço para aprimorar a qualidade da informação no Feed de Notícias, nós consideramos atualizações em camadas baseado na forma como elas afetam as pessoas, publishers, e nossa comunidade como um todo”, continuou Yeh. “Nós sabemos que as pessoas desgostam de posts sensacionalistas ou com tendências de spam, e o conteúdo falso de saúde é particularmente ruim para a nossa comunidade”.

Fonte: Facebook; Gazeta do Povo; Wall Street Journal

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.