Polêmica envolvendo o Facebook também afeta a América Latina

Por Patrícia Gnipper | 02 de Abril de 2018 às 08h18
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Já não é nenhuma novidade o escândalo em que o Facebook se envolveu recentemente, graças à denúncia de que a Cambridge Analytica teve acesso a dados de 50 milhões de usuários por meio de um teste de personalidade. O caso, que vem sendo investigado na Europa e nos Estados Unidos com o objetivo de determinar até que ponto a empresa de Mark Zuckerberg é responsável pela exposição de dados de usuários de maneira não tão clara como eles gostariam, segue repercutindo internacionalmente — e a América Latina também está envolvida.

Por aqui, países como Argentina, México, Colômbia e também o Brasil abriram suas próprias investigações com o intuito de descobrir se o "vazamento" de dados realizado pela Cambridge Analytica também impactou, de alguma maneira, os processos eleitorais locais.

Falando sobre o que está rolando em nosso país, há uma investigação em andamento para esclarecer se a empresa em questão obteve acesso ilegal a informações pessoais de milhares de brasileiros por meio da rede social, usando uma subsidiária local chamada A Ponte Estratégia Planejamento e Pesquisa, localizada em São Paulo.

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Por enquanto, sabe-se que Dr. Alex Tayler e Mark Turnbull, da Cambridge Analytica, mantiveram conversas sigilosas com um jornalista que os acompanhou enquanto monitoravam dados de brasileiros, mas, até o momento, nada foi revelado a respeito das descobertas de tal investigação. O Brasil tem um grande peso neste "causo" justamente por ser o terceiro maior mercado para o Facebook em todo o mundo, e teremos eleições presidenciais em 2018.

Outros países da América do Sul

Na Argentina, por sua vez, a subsidiária da Cambridge Analytica, SCL Group, tem relações próximas com uma empresa de agricultura chamada Blacksoil, e, segundo relatos da imprensa local, o ex-CEO da CA, Alexander Nix, era amigo próximo do proprietário da Blacksoil, Lucas Talamoni Grether, com quem já havia feito negócios no passado.

Por conta disso, o órgão argentino que regula as eleições e campanhas eleitorais no país (CNE) está conduzindo uma investigação própria para determinar se partidos políticos usaram dados da CA para manipular as eleições do ano passado, ainda que não haja evidências quanto a isso.

Já o México, que é o atual quinto maior mercado global para o Facebook, também foi citado junto ao Brasil por executivos da Cambridge Analytica, só que, por lá, a empresa trabalha por meio de um app chamado Pig.Gi. De acordo com denúncias realizadas pela imprensa do país, esse app teria sido usado para fornecer dados de usuários mexicanos e também colombianos, ainda que o CEO e fundador da Pi.Gi, Joel Philips, tenha ido à público para dizer que sua companhia não obteve dados de usuários nem do México nem da Colômbia de maneira irregular.

Fakes news

Vale ressaltar que a América Latina vem encarando uma forte onda de notícias falsas sendo veiculadas justamente em períodos eleitorais nas redes sociais a fim de manipular a população por meio da desinformação. Em 2017, na época das eleições argentinas, somente usando uma ferramenta chamada Chequeando, foram descobertas diversas notícias falsas envolvendo partidos políticos e candidatos no Facebook.

No Brasil, esse problema também é grave, com nossas fake news sendo destaque no noticiário internacional. Entre os motivos que explicam esse fenômeno está a instabilidade política do país. Além disso, com uma população polarizada nesse sentido, torna-se mais fácil difundir inverdades de todos os lados da disputa, tudo com o objetivo de "queimar" o adversário e abocanhar mais votos.

Essa polarização política vem sendo estudada por aí, e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, chegou a concluir em um estudo que extremistas tendem a distribuir uma maior quantidade de informações falsas do que aqueles que são mais moderados. E a América Latina, como um todo, vem sendo caracterizada pela polarização no que diz respeito à política, fazendo com que a região seja a "vítima" perfeita para pessoas e organizações internacionais que, por suas razões, desejam influenciar os processos eleitorais locais a seu benefício usando justamente o Facebook para tal.

Afinal, um dos desafios mais complicados para as gigantes da internet nos dias de hoje é justamente barrar as fake news e conteúdos impróprios de suas plataformas, deixando-as devidamente seguras, porém, sem que haja uma censura propriamente dita. Então, juntando essa brecha das redes sociais com a polarização política e a manipulação de empresas que obtêm acesso a dados de usuários, acabamos tendo uma bomba-relógio prestes a explodir.

Fonte: TechCrunch

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