Metade dos moderadores do Facebook podem ter desenvolvido problemas mentais

Por Wagner Wakka | 15 de Maio de 2020 às 11h17
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O Facebook vai ter de pagar US$ 52 milhões a um grupo de moderadores que trabalham para a rede social nos Estados Unidos. Em 2018, uma reportagem do The Verge revelou que eles operavam em condições insalubres para o posto já considerado mentalmente desafiador.

Com isso, o Facebook foi processado e concordou a pagar indenização a pelo menos 11.250 moderadores e ex-moderadores. Cada um deve receber o mínimo de US$ 1 mil, sendo que a quantia pode aumentar caso se comprove estresse pós-traumático ou outras condições de saúde relacionadas ao trabalho.

Segundo os advogados de acusação, pelo menos metade dos funcionários que vão receber a indenização podem ter sofrido danos mentais, como depressão e até vício em drogas ou álcool. “Ficamos muito felizes que o Facebook trabalhou conosco para criar um programa sem precedentes para ajudar pessoas a fazerem um trabalho inimaginável há alguns anos. Os danos que esta função pode causar são reais e severos”, apontou Steve Williams, advogado de acusação.

Entenda o caso

O Facebook contratou a empresa de consultoria Cognizant para gerenciar funcionários terceirizados responsáveis por moderar publicações apontadas como fora das políticas da rede social. Em resumo, os funcionários precisavam definir se uma publicação era um “alarme falso” ou realmente continha questões que feriam as regras de utilização. Assim, lidavam constantemente com publicações sobre assédio, suicídio, violência e outras atrocidades.

Como se isso não fosse uma missão difícil, o grupo ainda sofria com um ambiente de trabalho que não dava suporte psicológico para a função. A reportagem do The Verge revelou que pessoas nos escritórios de Tampa e Phoenix conviviam com assédio moral e sexual constante.

Foi daí que uma das moderadoras, chamada Selena Scola, resolveu processar o Facebook. No documento, ela aponta que sofreu sintomas de estresse pós-traumático ao trabalhar para a empresa. O processo, então, se tornou uma ação coletiva.

Da quantia acordada com o Facebook, os funcionários vão receber US$ 1 mil para gastar como quiserem. Contudo, o resto do montante que eles podem receber será pago em tratamento médico. Ainda, caso a pessoa demonstre que tenha se ferido por conta do trabalho, podem receber até US$ 50 mil.

Mudanças

Além do pagamento, o Facebook concordou em aplicar novas mudanças para o cargo de moderador na rede social. Depois da reportagem, a empresa fechou a parceria com a Cognizant e passou a fazer o serviço com funcionários internos.

A companhia também criou uma ferramenta para minimizar os danos, tirando, por exemplo, o som dos vídeos por padrão e colocando imagens em preto e branco. A expectativa é de que 100% dos moderadores passem a trabalhar com esse sistema até 2021.

Além disso, os moderadores vão receber apoio psicológico mensal, além de terapia em grupo.

Fonte: The Verge

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