Ferramenta do Facebook contra influência em eleições falha na Irlanda

Por Wagner Wakka | 09 de Maio de 2018 às 16h15
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O Facebook está testando a sua primeira ferramenta para impedir interferências por redes sociais em uma eleição. Mas analistas acreditam que a plataforma falhou. A experiência rolou na Irlanda, onde acontece em maio uma consulta pública para ver se a população apoia uma legislação que proíbe totalmente o aborto no país.

Mark Zuckeberg, em apresentação para o Congresso norte-americano, chegou a dar explicações sobre as ferramentas para evitar que publicidade na plataforma pudesse influenciar na campanha. O primeiro teste seria no Canadá, de acordo com ele, e a ferramenta iria permitir que usuários pudessem ver todas as campanhas que aquela mesma conta estivesse produzindo, além de revelar de quem era a conta. Dessa forma, seria possível ver se um candidato, por exemplo, produziu peças publicitárias e que se contradizem, apenas para focar em um determinado público.

A mesma técnica está sendo usada pela segunda vez na Irlanda. Em entrevista para o Business Insider, analistas disseram que a ferramenta ainda não é boa o bastante para evitar este tipo de interferência.

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Ao perceber quem está efetivamente bancando e produzindo a campanha, a ferramenta mostrou um outro problema: que grande parte das publicidades em relação ao referendo estão sendo feitas fora do país.

Com isso, uma iniciativa para a transparência do processo (TRI, na sigla em inglês) montou um grupo de voluntários para montar uma planilha com o nome de todas as empresas e pessoas que estão bancando os espaços publicitários no Facebook relacionados à votação.

Após análise de jornalistas, eles descobriram, por exemplo, que entidades contra o aborto dos Estados Unidos e Canadá estavam bancando ações na rede da Irlanda. Outro exemplo é de que um dos vídeos mais famosos da campanha era do YouTuber de extrema direita Caolan Robertson, um britânico, e não irlandês.

Além disso, uma notícia falsa com uma montagem a respeito da rede de televisão RTÉ News foi também veiculada no país. Mas, somente após a rede pedir a retirada, que a produção deixou de ser transmitida. Contudo, a página que veiculou a fake news ainda ficou no ar por não ter violado as políticas da rede social, de acordo com o Facebook.

Essa sequência de fatos acabou por colocar em xeque esta iniciativa do Facebook, já que, assim como aconteceu nos Estados Unidos, a interferência vem de fora do país.

Com as complicações, o Facebook passou a proibir campanhas externas que não fossem feitas por contas de dentro do país, ao menos até o pleito acontecer.

O que diz o Facebook?

A rede social respondeu ao jornal dizendo que a ferramenta ainda está em fase de testes na Irlanda e que terá uma verificação quando for levada para âmbito global, o que vai obrigar os contratantes da publicidade a estarem no país onde a eleição está acontecendo.

O Facebook ainda diz que está ferramenta de verificação de publicidade estrangeira já está em funcionamento na Irlanda e que vai trabalhar em conjunto com empresas locais com o TRI para garantir a isenção da votação. Em nota, o Facebook diz: “Sabemos a sensibilidade desta campanha e estamos trabalhando duro para garantir a neutralidade em todos os estágios”.

As preocupações nasceram após o escândalo da Cambridge Analytica, empresa que teria utilizado dados de 87 milhões de usuários do Facebook para produção de peças publicitárias que teriam influenciado as eleições de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit, no Reino Unido. Os dados foram adquiridos através de uma pesquisa acadêmica por um quiz na rede social e utilizada indevidamente para a produção de peças publicitárias em eleições.

Fonte: Business Insider

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