Facebook não vai mais oferecer suporte personalizado a campanhas políticas

Por Felipe Demartini | 24 de Setembro de 2018 às 08h18
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Como mais uma forma de solidificar seu alinhamento imparcial e a postura mais agressiva com relação à transparência política, o Facebook anunciou que não vai mais oferecer suporte personalizado a campanhas dessa categoria. A mudança tem caráter imediato e se aplica a todos os países em que a rede social tem atuação, com a companhia não mais alocando funcionários ou representantes em escritórios de políticos.

Indivíduos dessa categoria se tornam grandes anunciantes da plataforma durante a campanha, devido à amplitude do Facebook, que permite um contato com milhares de pessoas em todo o país. Por conta disso, a rede social enviava profissionais aos escritórios dos maiores candidatos, como forma de auxiliá-los a entender os algoritmos da companhia e criar dinâmicas de propaganda mais eficazes e abrangentes.

Esses profissionais auxiliavam os marqueteiros e publicitários a serviço dos políticos sobre as melhores práticas para criação de anúncios na plataforma, além de ajudá-los na navegação por sistemas voltados aos anunciantes. Isso, entretanto, deixa de acontecer em caráter imediato como forma de garantir o distanciamento entre o Facebook e os candidatos.

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A medida seria, também, mais um reflexo do escândalo com a Cambridge Analytica, detonado no início do ano e que expôs como os dados dos usuários da rede social foram usados em campanhas de manipulação e publicidade para garantir a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, em 2016, e a saída do Reino Unido da União Europeia.

O apoio do Facebook foi citado pelo escritório de campanha de Trump como crucial para a vitória, uma declaração que se tornou ainda mais negativa depois que o escândalo do mau uso de dados dos usuários da rede social veio à público. Em uma das defesas sobre o caso, a companhia afirmou ter oferecido o mesmo serviço de suporte direto à campanha de Hillary Clinton, mas que a candidata recusou a proposta.

A ideia, de acordo com relatos da imprensa internacional, agora é manter uma postura de distância, mas sem cortar completamente os laços com políticos, pois, como dito, eles se tornam grandes anunciantes em época de eleição. O Facebook manterá esse contato por meio de um portal dedicado a esse fim, com informações diretas, mas generalizadas, sobre melhores práticas e o bom uso da plataforma, bem como detalhes sobre as restrições e legislações locais sobre propagandas em redes sociais e meios digitais.

Além disso, a empresa convida os escritórios de campanha a entrarem em contato direto caso tenham dúvidas ou desejem mais informações sobre o uso da plataforma de anúncios e o processo de aprovação ou não. A diferença, então, é que isso não será mais feito por meio de um enviado direto, algo que pode acabar sendo visto por muitos como o Facebook “vestindo a camisa” de alguém. Com certeza, uma noção com a qual a companhia não quer ver citada neste momento.

Fonte: Reuters

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