Facebook bloqueou contas pessoais de funcionários de empresa de spyware

Por Rafael Arbulu | 27 de Novembro de 2019 às 12h54
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O Facebook e a empresa de segurança israelense NSOGroup estão envolvidas em uma briga judicial cujo pivô é o aplicativo de spyware Pegasus, produzido pela NSOGroup e comercializado para entidades e governos autoritários para fins de vigilância de membros de grupos de direitos humanos, jornalistas e outros ativistas.

Agora, um novo processo acomete o Facebook, movido por alguns dos funcionários da NSOGroup, que alegam que a gigante das redes sociais bloqueou suas contas pessoais do WhatsApp em retaliação à primeira ação judicial. De acordo com a documentação, cerca de 100 pessoas tiveram suas contas relacionadas a produtos mantidos pelo Facebook (além do WhatsApp, o suposto bloqueio também vale para o Instagram e o próprio Facebook) bloqueadas, sendo os alvos colaboradores atuais e ex-funcionários da companhia, bem como seus familiares.

Contas de funcionários, ex-funcionários e familiares de empresa israelense de segurança no Instagram e WhatsApp foram bloqueadas pelo Facebook, que alegou barrar os indivíduos por motivos de segurança

“Bloquear nossas contas pessoais é uma medida danosa e injusta do Facebook contra nós. Além do mais, o conhecimento de que nossas informações pessoais foram buscadas e usadas nos incomoda muito. Temos orgulho de sermos funcionários da NSO, uma empresa israelense de bons valores, inúmeras pessoas no mundo todo devem a vida à tecnologia da companhia, nós acreditamos na justiça de nossos caminhos e vamos continuar a auxiliar os governos ao redor do mundo por meio da tecnologia que desenvolvemos”, disseram os empregados bloqueados, que alegam também terem tentado contato com o Facebook, sem resposta, por diversas vezes.

O Facebook confirmou a ação, justificando-se ao dizer que “os bloqueios de contas relevantes” foram promovidos por “razões de segurança, incluindo a prevenção de ataques adicionais”.

Entenda o caso

Há cerca de um mês, em outubro, o Facebook moveu um processo contra a NSOGroup, acusando a empresa de instalar uma aplicação de spyware, chamada “Pegasus”, em nome de seus clientes, para monitorar pessoas de interesse, como membros de comitês de direitos humanos, jornalistas e pessoas da sociedade civil. Segundo as informações divulgadas, o monitoramento promovido pela empresa de Israel atingiu mais de 1,4 mil pessoas no mundo todo.

Segundo a rede social, a NSOGroup não conseguiu quebrar a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp, apelando para a instalação de spywares que poderiam ser injetados nos telefones das vítimas por meio de uma chamada de áudio que sequer precisava ser atendida. Essa falha na segurança do WhatsApp foi corrigida por meio de um patch de atualização do app de mensagens.

O jornalista saudita Jamal Kashoogi, torturado e morto dentro de um consulado da Arábia Saudita, tinha o software de monitoramento "Pegasus", da NSOGroup, instalado em um de seus smartphones

A NSOGroup recusou-se a dizer quem havia encomendado esse monitoramento, defendendo o Pegasus e as suas ações de monitoramento. A empresa, em suas comunicações oficiais, porém, gaba-se de ter como clientes alguns governos da região do Oriente Médio. Ela, no entanto, assegurou que seu software só é comercializado para governos no intuito de “salvar vidas”.

A situação da NSOGroup, porém, não a favorece: em 2018, o jornalista, ativista árabe e colunista do Washington Post, Jamal Kashoogi, foi torturado e assassinado dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul. A perícia analisou os pertences da vítima e, em um de deus smartphones, encontrou o software Pegasus instalado.

Desde então a NSOGroup vem tentando limpar a sua imagem pública com entrevistas “pré-combinadas” e anúncios em redes sociais.

Fonte: The Next Web (1) (2)

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