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E-mails vazados reforçam dificuldade do Facebook em lidar com discurso de ódio

Por Rafael Arbulu | 29 de Março de 2019 às 16h53
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Uma série de e-mails obtidos por jornalistas mostram que o Facebook ainda enfrenta diversas dificuldades ao lidar com discursos de ódio em suas plataformas. Simplesmente porque nem mesmo os próprios colaboradores parecem concordar sobre o que constitui, de fato, discurso de ódio: um post publicado no Instagram pelo controverso conspiracionista Alex Jones incitou discussão entre os colaboradores sobre a moderação dos comentários ou eventual exclusão da postagem.

Segundo o Business Insider, que entrou em contato com o Facebook (dono do Instagram) e recebeu a corrente de e-mails mencionada acima de uma fonte, o post retratava seis figuras judias em um tabuleiro de Monopoly (o jogo que é conhecido aqui como “Banco Imobiliário”). O tabuleiro e as figuras eram segurados no alto por escravos negros. Um especialista da rede disse que “conversas internas” foram tidas sobre Jones e seu posicionamento constituírem “discurso de ódio”, porém a conclusão foi de que seu post não violava padrões da comunidade.

Outro profissional ressaltou que os 560 comentários da postagem foram avaliados, dos quais “apenas 23 foram violavam as políticas de discurso”. Ele dá a entender que o número de comentários de fato ofensivos é pequeno demais para justificar a exclusão do post. E foi a partir daqui que começou o imbróglio:

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O Facebook tem dificuldades internas em monitorar, moderar e coibir discursos de ódio em suas plataformas sociais

“Posso checar o por que da imagem não ser considerada violadora, dado o contexto de que ela é amplamente considerada antisemita?”, disse um colaborador baseado no Reino Unido. “Eu compreendo o fato de ela não ser clara, mas eu achava que uma consideração mais ampla poderia mudar as coisas”.

Outro funcionário britânico ressaltou que a mesma imagem é bastante conhecida — e criticada — no setor europeu, ressaltando que considerá-la não ofensiva deixaria o Facebook aberto para muitas críticas. A conversa vai e volta, com alguns moderadores dizendo que, ao manter o post de Alex Jones no ar, “será fácil” para a mídia considerá-los ineficazes.

Sorrateiramente, o post de Alex Jones foi removido na última quinta (28). Novamente procurado pela imprensa, o Facebook, por meio de porta-voz, disse: “Nós queremos que nossos usuários se expressem livremente na plataforma, mas também queremos nos certificar de que discursos de ódio serão derrubados”.

Ele continuou: “É por isso que temos regras bem públicas sobre o que é e o que não é permitido no Facebook e Instagram. Conforme mostra essa conversa, decidir qual conteúdo continua no ar e qual é removido é uma das decisões mais difíceis que podemos tomar e temos que ter a sensibilidade de ponderá-la corretamente”.

No passado, Alex Jones teve diversos problemas com diversas empresas que gerenciam plataformas sociais: seu programa Infowars foi banido das principais plataformas de streaming e podcasts, ao passo que o Facebook removeu, em janeiro, 22 páginas ligadas a ele. Até mesmo o PayPal cortou relações com o controverso comunicador e deixou de oferecer suporte de pagamento à sua loja de suplementos alimentares.

Fonte: Business Insider

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