E-mails antigos de Zuckerberg preocupam funcionários do Facebook

Por Rafael Arbulu | 13 de Junho de 2019 às 16h25
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Algumas correspondências antigas de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, estão causando dores de cabeça a seus funcionários. Durante uma investigação da Comissão Federal de Comércio (ou simplesmente “FTC”) dos Estados Unidos, e-mails velhos do executivo “podem implicá-lo práticas problemáticas de privacidade”. As informações são do Wall Street Journal.

De acordo com a reportagem, a investigação do órgão se dá por uma acusação de violação supostamente perpetrada pelo Facebook em relação à privacidade dos seus usuários, conhecida como “decreto de permissão” (consent decree, no jargão jurídico em inglês). A empresa busca um acordo junto à FTC para resolver a situação rapidamente, mas os e-mails descobertos durante a investigação prometem complicar a situação do CEO.

Isso porque, segundo fontes anônimas ligadas à empresa e que falaram ao Journal, o acordo ambicionado pela rede resolveria acusações de que o Facebook “enganou consumidores ao dizer-lhes que poderiam manter privadas as suas informações, e repetidamente permitindo que estas informações fossem compartilhadas e tornadas públicas”. A fim de se evitar punições, a exigência era a de que o Facebook obtivesse permissão expressa antes de compartilhar informações de usuários além de suas configurações de privacidade. Mais além, a rede deveria implementar novas práticas de privacidade para proteger os dados de seus consumidores.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, novamente se vê envolvido em problemas de privacidade em relação aos usuários da rede social

Ao menos um e-mail de abril de 2012 (após a sentença e concordância com os termos de acordo, mas antes de sua devida implementação), porém, parece mostrar o CEO Mark Zuckerberg discutindo com seus funcionários uma situação: um aplicativo externo ao Facebook que dizia oferecer acessos ao perfil de usuário e suas informações pessoas, independentemente das configurações de privacidade impostas por ele.

Parafraseando o jornal: “Em uma troca de e-mails de abril de 2012, que chamou a atenção dos reguladores, segundo uma fonte próxima à situação, o Sr. Zuckerberg perguntou a funcionários sobre um app que dizia ter construído uma base de dados recheada de informações sobre dezenas de milhões de usuários do Facebook. O desenvolvedor dizia ter a capacidade de exibir as informações destes usuários a outros por meio de seu próprio site, independente das configurações que tais usuários tivessem ajustado em seus perfis”.

Zuckerberg perguntou à sua equipe se tal feito era possível, ao que alguns de seus funcionários responderam afirmativamente. O CEO então perguntou se o Facebook deveria fazer algo a respeito disso, ao que foi respondido com “é uma situação complicada” e que tal prática era comum no meio. O app em questão, que o jornal não nomeia, acabou suspenso da rede meses depois, mas a rede social não implementou novas medidas de segurança. Tempos mais tarde naquela mesma época, escândalos de privacidade — com destaque para a situação da Cambridge Analytica — estouraram, levando a empresa às contendas com autoridades que vem enfrentando desde então.

“Nós cooperamos completamente com a investigação da FTC até hoje e oferecemos dezenas de milhares de documentos, e-mails e arquivos”, disse um porta-voz do Facebook ao Wall Street Journal. “Nós estamos continuamente trabalhando com a agência e esperamos trazer uma resolução apropriada a este assunto. Em nenhum momento o Mark ou qualquer outro empregado do Facebook sabidamente violou as obrigações da empresa sob a permissividade da FTC, nem tampouco qualquer e-mail existente indica que isso ocorreu”.

A percepção, argumenta o jornal, é a de que a corrente de e-mails trocados pode fazer parecer com que Mark Zuckerberg não se importa com a implementação de novas práticas de privacidade. Especulações indicam que a rede deverá pagar uma multa de valor recorde de US$ 5 bilhões à FTC, também como parte deste acordo. Entretanto, a agência continua nomeando Zuckerberg como respondente direto às acusações, o que, segundo o Journal, pode implicá-lo em âmbito pessoal e forçá-lo a combater a agência na justiça comum dos EUA.

Fonte: Wall Street Journal (pode pedir inscrição)

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