Documento revela que Facebook poderia ter virado uma "Wikipédia da vida privada"

Por Rafael Rodrigues da Silva | 14 de Fevereiro de 2020 às 10h57
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Steven Levy, conhecido editor da Wired, conseguiu colocar as mãos em algo que ele talvez nunca imaginou encontrar: um diário de Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, datado de 2006 e que mostra algumas das primeiras ideias que ele tinha para a rede social.

Levy teria conseguido o acesso a 17 páginas de um desses diários e, ao conversar com algumas pessoas que trabalharam para a empresa bem no começo, foi possível perceber como essas anotações eram importantes para Zuckerberg, que costumava deixar cópias de algumas dessas páginas na mesa de seus funcionários para que eles pudessem se inspirar em suas ideias.

De acordo com Levy, a maior parte do diário fala apenas sobre a rotina de estudos de Zuckerberg e de como ele utilizava o período de aulas para pensar no tipo de coisa que ele precisava introduzir ao Facebook. Assim, as páginas estão repletas de ideias para novos produtos, fluxogramas de programação, listas de funções que deveriam ser implementadas e gráficos de crescimento.

Na época, o Facebook ainda era uma rede social fechada e só podia ser acessada utilizando a rede de uma faculdade ou colégio, e uma das ideias que Zuckerberg mais discutia nesse período era a possibilidade de torná-la aberta para qualquer pessoa. Outra ideia pensada na época era a implantação de um feed de notícias, que hoje existe na plataforma.

Mas nem todas as ideias foram implementadas na versão final do Facebook: uma delas é algo que Zuckerberg chamou de “Dark Profiles”, que seria uma espécie de “página pública” para pessoas que não possuem um perfil no site, seja por falta de conhecimento do que seria a rede social ou até por intencionalmente não querer participar daquilo. Assim, tendo em posse apenas o número e o e-mail da pessoa, qualquer um conseguiria criar um perfil para aquela pessoa sem a autorização dela. Esse perfil, então, se tornaria algo público e qualquer pessoa poderia atualizá-lo com informações sobre aquela pessoa, como estado civil, local de nascimento, local de trabalho e qualquer outra informação pertinente — basicamente dando à vida privada de qualquer pessoa o “tratamento Wikipédia”. No fim, ainda que a rede social tenha feito alguns testes com a criação de perfis escondidos para pessoas que ainda não estão no Facebook, a ideia foi abandonada e nunca implantada na plataforma.

Outra história interessante revelada pelas páginas obtidas por Levy é a lenda de Zuckerberg ter recusado uma proposta de compra do Facebook pelo Yahoo por US$ 1 bilhão. Na verdade, Zuckerberg havia até concordado com a venda, mas quando já estava tudo certo para a assinatura dos papéis, o CEO do Yahoo, Terry Semel, pediu uma renegociação do valor, alegando que a empresa tinha perdido muito dinheiro com a desvalorização das ações. Foi esse pedido de renegociação que fez com que Zuckerberg desistisse da venda.

De acordo com Levy, a maior parte dos cadernos e diários de Zuckerberg do começo do Facebook foram destruídos por questão de privacidade — o que é uma pena, pois esses documentos poderiam dar mais detalhes sobre como foram os primeiros anos da empresa. As dezessete páginas que Levy teve acesso foram disponibilizadas na íntegra, e podem ser lidas (em inglês) no próprio site da Wired.

Fonte: Wired

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