Cofundadores do Instagram deixam empresa após rumores de rusgas com o Facebook

Por Wagner Wakka | 25 de Setembro de 2018 às 11h10
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Os cofundadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, deixaram a empresa que criaram após oito anos. A notícia vem de uma publicação no blog da própria companhia assinado por Systrom, que informa que ele e Krieger estão “planejando tirar um tempo para explorar nossa curiosidade e criatividade novamente”.

“Criar novas coisas exige que demos um passo atrás, entender o que nos inspira e combinar com que o mundo precisa: é isso que planejamos fazer”, aponta Systrom.

Embora tenha um ar de “busca por novos projetos”, o clima nos bastidores é pouco amistoso. Segundo o News York Times, primeiro veículo a antecipar a saída dos executivos, fontes de dentro da empresa confirmaram que ambos estavam desgostosos com o aumento da intromissão de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, nos planos do Instagram.

A rede social de fotos foi comprada em 2012 por US$ 1 bilhão, mas continuou sob o domínio direto de seus fundadores. O cenário teria mudado mais recentemente, sobretudo após o caso da Cambridge Analytica e das polêmicas recentes sobre segurança e interferência de eleições no Facebook.

Krieger e Systrom com sua equipe no escritório do Instagram (Foto: Divulgação/Instagram)

Tal cenário teria feito com que o Zuckerberg passasse a olhar para o Instagram como o principal substituto para o futuro do Facebook. Tal mudança de postura teria acabado por retirar a independência da rede social negociada por Systrom e Krieger em 2012.

Segundo levantamento do MacRumors, Zuckerberg passou a falar mais do Instagram em reuniões com acionistas, apontando que a rede social é líder de crescimento, com aumento duas vezes maior que o esperado. Rumores internos também apontam que Zuckerberg credita o sucesso recente do Instagram ao aumento de sua participação no projeto, o que teria deixado funcionários e os fundadores incomodados.

Em nota, o CEO do Facebook chamou a atuação de ambos de “extraordinária”. “Eu aprendi muito ao trabalhar com eles nesses últimos seis anos e realmente gostei disso. Desejo a eles o melhor e estou de olho no que vão produzir a seguir”, disse Zuckerberg.

A expectativa é de que Adam Mosseri, atual gerente de produtos da rede social de fotos, ocupe o lugar agora vago. O antigo cargo de Mosseri era do time do feed de notícias do Instagram. Dessa forma, com um novo diretor nomeado pelo Facebook, é possível que a gestão integrada entre as duas empresas seja ainda maior.

Problemas internos

Este não é o primeiro relato sobre intromissão de Zuckerberg nos planos de suas subsidiárias. No início do ano, o cofundador do WhatsApp Jan Koum informou que estava saindo da companhia. Apesar do discurso polido da nota oficial de saída de Koum, fontes internas disseram ao The Verge que ele havia demonstrado preocupação sobre questões de privacidade e compartilhamento de informações do app.

Vale lembrar ainda que, em junho deste ano, após o escândalo da Cambridge Analytica, um grupo de investidores passou a fazer pressão pela saída de Zuckerberg do cargo de presidente executivo do Facebook. Segundo levantamento do Business Insider na época, seis acionistas, representando investimentos na casa dos US$ 3 bilhões, começaram a conversar para forçar a saída de Zuckerberg. Segundo o veículo, um comitê interno chegou a ser formado para discutir o assunto.

Fonte: The Verge, Instagram, MacRumors, New York Times

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