Auditoria de direitos humanos do Facebook é "inadequada" para grupos do setor

Por Rafael Arbulu | 01 de Julho de 2019 às 17h53
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Neste domingo, 30/6, o Facebook divulgou resultados de uma auditoria que vinha sendo realizada ao longo do último ano, focada na moderação e remoção de conteúdos de discurso de áudio que vinham se proliferando na plataforma. A auditoria teve início em meados de 2018 após aumento generalizado das denúncias de publicações de ataque aos direitos humanos, especialmente direcionados à etnias africanas e minorias religiosas. Grupos atuantes no reforço dos direitos humanos, porém, dizem que as medidas são “lamentavelmente inadequadas”.

“Uma verdadeira auditoria de direitos civis deveria contar ao público onde exatamente haviam deficiências na remoção de conteúdo e atividades de ódio e como elas foram resolvidas”, disse Henry Fernandez, sócio sênior do Centro para o Progresso Americano e membro da coalizão Change the Terms. “O documento publicado pela empresa não trata dessa necessidade”.

Hernandez refere-se a um registro de aproximadamente 30 páginas divulgado pela rede social, detalhando encontros entre a atual embaixadora dos direitos humanos do Facebook, a ex-diretora da American Civil Liberties Union (ACLU), Laura Murphy; e cerca de 90 representantes de entidades voltadas à proteção de minorias, com destaque para a Muslim Advocates, que presta atendimento jurídico a seguidores da religião muçulmana; e a Color of Change, voltada ao público afro-americano. Os encontros ocorreram em Washington, capital dos EUA.

Discursos de ataque à minorias étnicas, LGBTQ+ e religiosas têm sido constantes no Facebook: auditoria recente foi considerada inadequada por grupos de proteção

Diversos desses grupos formaram a coalizão Change the Terms, que tem o intuito de persuadir o Facebook a tomar medidas mais agressivas para coibir a publicação, promoção e viralização de conteúdos racistas e extremistas.

“A auditoria de liberdades civis do Facebook começou em 2018, sob encorajamento da comunidade de direitos humanos e como parte do compromisso da empresa em avançá-los por toda a plataforma”, disse o Facebook, em comunicado. “Ela tem a intenção de criar um fórum para diálogo entre a comunidade de direitos humanos e o Facebook, com o objetivo de informar ao público das avaliações da empresa sobre áreas críticas de preocupação”.

Laura Murphy chamou o documento de “uma representação significativa do progresso [da empresa] em diversos problemas, além de um compromisso concreto para aprimoramentos maiores”. Ela ainda completou, dizendo que a plataforma compreende a necessidade de um framework forte, sistêmico e funcional para atacar problemas como discurso de ódio, viés algorítmicos e interferências eleitorais.

Pela compreensão de Hernandez, porém, a realidade contrasta com as palavras da rede social, dizendo que, ao documento, falta a transparência exigida pelas lideranças comunitárias frente ao crescimento do discurso de ódio na rede social, além de falhar em explicar de forma objetiva como a empresa pretende equipar seus programadores e moderadores daqui para frente. Ele referiu-se ao documento e à auditoria em si como “lamentavelmente inadequados”.

A rede Muslim Advocates também opinou sobre o material, dizendo que o relatório mostra a falha do Facebook na tomada de ação significativa contra conteúdos extremos, sobretudo em relação aos supremacistas brancos: “O assassinato de 51 muçulmanos em Christchurch foi transmitido para todo o mundo via Facebook Live, tornando claro o fato de que isso é uma questão de vida ou morte — mesmo assim, a empresa ainda não tomou ação séria para proteger a nossa comunidade”, disse Madihha Ahussain, conselheira especial do grupo, ao referir-se aos atentados da Nova Zelândia, em março de 2019.

Já a Color of Change, que foi alvo de investigação de uma consultoria de comunicação sob contrato com o Facebook no ano passado, com intuito de desacreditar críticos da rede que fossem associados ao grupo, disse que o relatório falha em estabelecer um necessário e proativo processo de moderação para o combate à discriminação. Embora o foco dos grupos associados à coalizão Change the Terms sejam proponentes de que o Facebook faça a sua autorregulação, a Color of Change, uma das maiores organizações de proteção à população afro-americana nos Estados Unidos, disse que está claro para ela que apenas a intervenção da regulamentação governamental vai assegurar que os direitos humanos se tornem uma prioridade operacional ao Facebook.

Fonte: Gizmodo

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