Facebook informa ter removido 1,5 milhão de vídeos do atentado de Christchurch

Por Rafael Arbulu | 18 de Março de 2019 às 08h40
(Foto: Cornell Tukiri/The New York Times)
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O Facebook anunciou ter removido cerca de 1,5 milhão de vídeos do atentado terrorista a duas mesquitas islâmicas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, ocorrido no último dia 15, sendo 1,2 milhão barrados já no upload. Ao longo do dia de sábado (16) a rede social removeu posts dedicados à exibição do vídeo original dos ataques — este, filmado e transmitido ao vivo pelo próprio atirador, por meio de uma câmera acoplada ao seu capacete.

Além do Facebook, o YouTube também havia anunciado estar promovendo esforços na exclusão de vídeos que mostrassem o atentado, porém a rede de vídeos da Google ainda não informou o volume de postagens excluídas em seu serviço.

A exclusão em massa do Facebook incluiu também vídeos borrados, quadriculados, ou de qualquer outra forma, editados. Todas as versões da gravação dos ataques foram removidas a pedido das autoridades locais e também “por respeito às famílias das vítimas”, segundo o anúncio feito pela rede no Twitter e assinado por Mia Garlick, porta-voz da empresa para o caso.

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Sobre esse gap de 300 mil vídeos que chegaram a ser publicados, porém, o Facebook não informou quanto tempo eles ficaram no ar. Mais além, o jornal americano Wall Street Journal relatou que o potencial de viralização do vídeo infelizmente foi maior que o empenho das empresas em barrá-lo, sendo ainda bem simples de achá-lo nas grandes plataformas. Outras empresas que poderiam servir de canal de distribuição do vídeo (Vimeo, Dailymotion, Twitter e outras redes sociais, por exemplo) não se manifestaram.

Recapitulando o atentado

Na madrugada desta sexta-feira (15), um homem que se identificava como “Brenton Tarrant” em uma conta (já desativada) do Twitter invadiu duas mesquitas e abriu fogo contra seus religiosos, matando 49 pessoas e ferindo outras 20. Ambos os ataques foram transmitidos ao vivo pelo Facebook. Segundo a polícia, o autor estaria usando um capacete com uma câmera GoPro acoplada. A mídia toda tem cerca de 17 minutos de duração.

O homem em questão tuitava fotos de armas de fogo semiautomáticas em sua conta na rede de microblogs e chegou a enviar e publicar, em um fórum de usuários conhecido por suas controvérsias, um manifesto de pouco mais de 70 páginas, identificando-se como “fascista”. O primeiro-ministro da Austrália, o conservador Scott Morrison, descreveu o atirador, que tem cidadania australiana, como “um terrorista extremista da direita”. Já a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, chamou o episódio de “atentado terrorista”.

Em sua transmissão, o atirador fez diversas referências, citando jogos como Spyro The Dragon e mencionando a ativista política conservadora dos EUA, Candace Owens. Ele também brincou, pedindo que os seus espectadores assinassem o canal de Felix “PewDiePie” Kjellberg. O youtuber dono do segundo canal mais popular do mundo, que já esteve envolvido em problemas por postagens antisemitas que ele próprio chamou de “sátiras”, publicou posts em suas contas oficiais: “Acabei de saber dos relatos devastadores vindos de Christchurch, Nova Zelândia. Eu me sinto absolutamente enojado de saber que meu nome foi proferido por essa pessoa. Meu coração e preces estão com as vítismas, famílias e todos os afetados por essa tragédia”.

Segundo a BBC, a polícia neozelandesa prendeu quatro pessoas — três homens e uma mulher — suspeitas de terem participação nos ataques — um deles, inclusive, já foi formalmente acusado de homicídio. O suspeito de ser o autor dos ataques foi preso pelas autoridades e relacionado ao aumento de ações ligadas à chamada “alt-right” e o crescimento de supremacistas brancos na internet.

Fonte: Facebook Newsroom (via Twitter); The Wall Street Journal (vídeo)

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