Advogado do Facebook diz que não há por que esperar privacidade da rede social

Por Rafael Arbulu | 31 de Maio de 2019 às 11h35
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Os porta-vozes do Facebook precisam casar melhor seus discursos. Segundo o Digital Trends, o advogado da empresa, Orin Snyder, disse em uma audiência com juízes que avaliam o escândalo Cambridge Analytica que não há motivos para os usuários esperarem por qualquer tipo de privacidade dentro da rede social.

As afirmações estão em confronto direto com o discurso veiculado pela empresa por meio de seu CEO, Mark Zuckerberg, que vem, desde abril batendo na tecla de que o futuro do Facebook reside na proteção aos dados dos usuários.

Snyder disse, na audiência, que “não existe invasão de privacidade, porque não há privacidade”. O objetivo do advogado na audiência era o de convencer o juiz Vince Chhabria de dispensar e arquivar o processo sobre o caso. O argumento principal dele é o de que usuários dão consentimento para o compartilhamento de suas informações com empresas terceirizadas pelo Facebook.

“Você teria de resguardar algo próximo de si para ter uma expectativa razoável de privacidade”, Snyder complementou. Ele também representa juridicamente outras empresas do setor tecnológico, como a Apple.

Orin Snyder, representante jurídico do Facebook: "Não há invasão de privacidade porque não há expectativa de privacidade", diz ele sobre a rede social (Imagem: Reprodução/The Verge)

Mark Zuckerberg vem tomando um discurso na via contrária, porém: nesta semana, em uma conferência com investidores do Facebook, o CEO teria dito que “um dos grandes temas que vamos promover pelos próximos cinco ou 10 anos é a construção da nossa visão de uma plataforma social focada na privacidade”. Zuckerberg ainda comparou o Facebook a uma “praça digital”, onde a empresa é majoritariamente pública, mas que a privacidade das informações dos usuários seria um ponto estratégico a ser empurrado pela empresa.

O problema é que a maior parte do faturamento e lucratividade do Facebook vem de anúncios direcionados. E direcionar anúncios é impossível sem o acesso às informações das pessoas. É por meio do que você curte, compartilha, comenta e publica que a rede sabe quais assuntos podem lhe interessar, posicionando a devida publicidade ao seu perfil. No ano passado, pelo último trimestre, a rede social teve faturamento de US$ 16,8 bilhões gerados por advertising.

As consequências da audiência a que Snyder compareceu ainda não são publicamente conhecidas. Tampouco a posição do juiz do caso.

Fonte: Digital Trends

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