Facebook à procura de editores de notícias para novo app

Por Redação | 28 de Janeiro de 2014 às 07h15

Por anos o Facebook vem oferecendo, por meio dos seus algoritmos, um serviço personalizado de atualizações, postagens e fotos aos usuários como o principal produto da empresa, o famoso feed de notícias. Em breve, uma nova ferramenta de apresentação de notícias vai ser introduzida: por meio de um novo aplicativo, pessoas trabalhando para o Facebook vão dizer quais notícias vão aparecer no seu feed.

Nos últimos meses, o Facebook contratou editores para compor o Paper, um aplicativo semelhante a um flipboard de notícias ainda não lançado, segundo duas pessoas envolvidas. Tais editores, segundo as fontes, vão supervisionar em torno de dez diferentes colunas de notícias em um amplo grupo de tópicos, selecionando um apanhado de “melhores histórias” de acordo com cada área em particular e disponibilizando-as para os usuários. Ou seja, as colunas de notícias em destaque serão selecionadas inteiramente por esses editores.

De acordo com o site Re/code, o Paper é o atual projeto secreto do Facebook que, da mesma forma que o aplicativo móvel que chamou a atenção do público, o Flipboard, busca trazer um mix mais elaborado de notícias de veículos junto com as atualizações de status e fotos. O aplicativo tem sido o “queridinho” do Vice-presidente de Produtos Chris Cox durante anos, tendo passado por diversas alterações.

Porém, com a entrada de editores, o novo aplicativo representa uma mudança drástica do sistema algorítmico do Facebook de apresentar informações, que desde sempre se baseou em um mix de referências determinadas pelo comportamento de cada usuário e na rede social deles para definir o que seria mostrado no feed. Além disso, coloca o Facebook como um concorrente direto dos aplicativos agrupadores de notícias como o Prismatic, Trove e o próprio Flipboard.

O esforço do Facebook em relação ao Paper surge em um momento complicado para as relações da empresa com veículos e páginas que publicam conteúdo. Recentemente, foram divulgados planos de alterações na classificação das histórias do feed de notícias que favoritariam conteúdos de “alta qualidade” em detrimento de outros itens. Até o presente momento, o Facebook ainda não divulgou publicamente o que isso significa para esses veículos.

Certamente, o novo aplicativo não é uma substituição para o feed de notícias. É uma ferramenta complementar e subordinada a ele. Fontes afirmaram que os editores do Paper podem apenas selecionar e destacar notícias que outros veículos tenham publicado no próprio Facebook. Por exemplo, se o New York Times ainda não tiver publicado a última notícia sobre Obama na sua página, o editor não conseguirá destacar essa matéria no Paper.

Além de apresentar o que Mark Zuckerberg chamou de “o melhor jornal personalizado do mundo”, o propósito do aplicativo ainda não está muito claro. Fontes indicaram que o projeto também serve como incentivo para veículos a postarem mais dos seus conteúdos no Facebook, aumentando assim as chances de seus conteúdos aparecerem como destaque no novo aplicativo. Isso quer dizer que quanto mais rico for o fluxo de conteúdo do Facebook, mais potencial dos usuários passarem mais tempo utilizando o serviço – o que, obviamente, significa mais pessoas vendo anúncios e propagandas.

Além disso, se o Facebook conseguir convencer os veículos de mídia que ele se tornou o melhor serviço de distribuição de notícias, melhor a empresa se coloca em relação ao Twitter, o universo de microblogging que há muito declarou sua supremacia como ferramenta de disseminação de conteúdo em tempo real. Tudo isso, no entanto, depende muito dos usuários baixarem e aderirem ao Paper.

As fontes citadas afirmaram que o Paper é um projeto que vem sendo desenvolvido há anos e que tinha previsão de lançamento em janeiro, então ele pode aparecer a qualquer momento.

Fonte: http://recode.net/

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