Como as redes sociais silenciam o debate político

Por Redação | 27 de Agosto de 2014 às 14h24

A Internet pode ser uma ferramenta útil para ativistas e movimentos sociais. Em episódios como o da Primavera Árabe pudemos ver a força de sua comunicação romper a censura de um governo autoritário. Mas por outro lado, a internet tem diminuído em vez de aumentar a participação política das pessoas, aponta um novo estudo.

De acordo com um relatório publicado nesta terça-feira (26) por pesquisadores do Centro de Pesquisas Pew e da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, as mídias sociais, como Twitter e Facebook, sufocam a diversidade de opiniões a respeito de assuntos públicos. Segundo o documento, as pessoas são menos propensas a manifestar opiniões divergentes nas redes sociais, especialmente quando estas diferem-se das opiniões de seus amigos.

Os pesquisadores concluíram ainda que aqueles que usam as redes sociais com maior frequência tendem a ser mais relutantes em expressar opiniões divergentes.

A Internet, ao que parece, está contribuindo para uma polarização homogênea da sociedade, e as empresas de tecnologia ampliam este efeito, ajustando os seus algoritmos para nos mostrar mais conteúdo de pessoas que são semelhantes a nós.

"As pessoas que usam as mídias sociais estão encontrando novas maneiras de se engajar politicamente, mas há uma grande diferença entre participação política e deliberação", disse Keith N. Hampton, professor associado de comunicação da Universidade Rutgers e um dos autores do estudo. "As pessoas são menos propensas a expressar opiniões e se expor ao outro, sendo que é justamente essa exposição que gostaríamos de ver em uma democracia".

A chamada "Espiral do Silêncio" nada mais é do que um reflexo da vida offline, dizem os autores do estudo, em que não se discute religião e política na mesa de jantar. E, de certa forma, a Internet tem se aprofundado em apartar tais discussões. Isso torna mais fácil para as pessoas lerem apenas notícias e opiniões que concordem com as delas. Em muitos casos, elas nem sequer fazem essa escolha por si só. Na semana passada, o Twitter disse que iria começar a mostrar os tweets de usuários até mesmo que não seguimos caso um número suficiente de pessoas que seguimos o favoritassem.

Os seres humanos são muito dependentes da aprovação dos outros, constantemente lendo sinais para julgar se as pessoas concordam com eles, disseram os pesquisadores. E, através das redes sociais, podemos obter facilmente esses sinais com likes, compartilhamentos, comentários em posts, etc. Assim, as pessoas se tornam menos propensas a opinar.

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