Publicidade
Economize: canal oficial do CT Ofertas no WhatsApp Entrar

Por que Alan Moore doou royalties de Watchmen para o Black Lives Matter?

Por| 14 de Setembro de 2023 às 21h30

Link copiado!

Lex Records
Lex Records

Bem, se você clicou nessa notícia, provavelmente não sabe, sabe pouco ou quer confirmar por que Alan Moore detesta tanto a indústria dos quadrinhos que adaptou suas obras sem consentimento; e quer também saber sobre as razões que o levaram a reconsiderar os royalties que têm direito sobre Watchmen, direcionando-os para o Black Lives Matter, movimento ativista contra a violência direcionada às pessoas negras. As respostas estão aqui, e com declarações bem recentes do autor.

Ok, nada mais justo, então, do que fazer um breve resumo sobre as tretas de Moore com a indústria dos quadrinhos. Como todos sabemos, ele teve uma bela carreira com nesse setor, assinando obras clássicas de super-heróis famosos, como Superman: O Que Aconteceu Com o Homem de Aço e outras mais convencionais, até obras mais provocativas como Saga do Monstro do Pântano, Watchmen, V de Vingança, Do Inferno e A Liga Extraordinária.

Mas, com o tempo, a verdadeira opinião de Moore sobre os super-heróis estava cada vez mais clara: para o autor, os gibis com superseres vestindo colantes coloridos “encoraja a infantilização, que muitas vezes pode ser um precursor do fascismo”.

Continua após a publicidade

“O que mais me atraiu nos quadrinhos não existe mais, e esses personagens de super-heróis inocentes, inventivos e imaginativos dos anos 1940, 1950 e 1960 estão sendo reciclados para um público moderno como se fossem comida adulta”, disse recentemente, em entrevista concedida ao Telegraph nesta quarta-feira (13).

E ele mesmo admite que Watchmen foi quase um “experimento que saiu pela culatra”, pois seus esforços para explorar temas mais sombrios e um alcance emocional mais amplo, em sua visão, foram distorcidos. “Eu não queria que meus experimentos com quadrinhos fossem imediatamente considerados algo que toda a indústria deveria fazer. Quando eu estava fazendo coisas como Watchmen, eu não estava dizendo que personagens psicopatas sombrios são muito legais, mas essa parece ser a mensagem que a indústria levou para os próximos 20 anos”, contou.

Quando azedou de vez entre Alan Moore e as editoras

Alan Moore já havia sido “vocal” sobre interferências editoriais e uso de propriedades que criou para outros fins sem seu consentimento nos anos 1990 e começo de 2000. Mas foi somente com a adaptação de V de Vingança é que ele “soltou o verbo”, mais especificamente em uma matéria do New York Times, em 2006.

Na matéria Moore considerava que obras como Watchmen e V de Vingança lhe foram roubadas pela DC, com uso de uma cláusula contratual — aparentemente, os direitos dessas HQs voltariam a Moore e os respectivos desenhistas, quando sua tiragem fosse esgotada, o que nunca teria acontecido. Vale lembrar que ambas continuam vendendo bem, e nunca saíram de catálogo.

Moore saiu da DC em 1989, e, em resposta ao artista na época da veiculação da matéria, Paul Levitz, publisher da editora quando o autor deixou a empresa, afirmou que Moore estava satisfeito com o acordo; e só ficou descontente anos depois.

Continua após a publicidade

Posteriormente, Moore passou a escrever para um pequeno selo do estúdio Wildstorm de Jim Lee, o America’s Best Comics, criado pelo próprio artista, que produziu A Liga Extraordinária. Acontece que o Wildstorm foi adquirido pela DC Comics, e A Liga Extraordinária foi adaptada sem seu consenso, o que levou a uma batalha judicial extenuante para Moore.

A partir daí, ele nem quis saber de ver seu nome nos créditos de adaptações ou quaisquer novos projetos envolvendo V de Vingança e Watchmen, duas obras a que teria direito de royalties — mas, devido aos problemas que teve com as empresas, simplesmente abriu mão ou direcionou para outros artistas participantes das ideias originais.

Depois disso, ele se recusou a vender qualquer coisa que escrevesse em HQs, até simplesmente parar de fazer HQs, e se dedicar à literatura e outras formas de expressão.

Por que Alan Moore doou os royalties de Watchmen ao Black Lives Matter

Continua após a publicidade

Moore vem de um lugar cinzento, pequeno, formado pela classe operária da pequena cidade inglesa de Northampton. Desde que passou a escrever apenas livros e se dedicar a outras expressões, como webcomics, pintura e até teatro, o artista tem mostrado que o dinheiro significa cada vez menos para ele.

O artista sempre defendeu valores liberais em seus quadrinhos, e deprecia, em especial, o trabalho de Frank Miller, famoso autor de Batman: O Cavaleiro das Trevas, e Sin City. Segundo palavras que ele deu recentemente ao Telegraph, Moore considera as obras de Miller como “uma visão bastante subfascista, mesmo desde os dias de O Cavaleiro das Trevas; É a ideia de um homem, talvez a cavalo, que possa resolver essa bagunça – isso é um pouco demais”.

O próprio Telegraph, então, tirou a dúvida que todos ainda tinham: é verdade que ele recusa todo o dinheiro a que têm direito das empresas cinematográficas, pedindo que seja dividido entre os roteiristas e outros criativos do filme? E é aí que Moore explicou a razão de doar para o ativismo contra a violência direcionada às pessoas pretas, algo que faz todo o sentido para o que sempre pregou e acreditou.

Continua após a publicidade

“Não desejo mais que isso [o dinheiro de royalties] seja compartilhado com eles [com quem trabalhou nas obras adaptadas]. Eu realmente não sinto, com os filmes recentes, que eles tenham mantido o que eu assumi serem seus princípios originais. Então, pedi à DC Comics que enviasse todo o dinheiro de quaisquer futuras séries de TV ou filmes para Black Lives Matter.”