Após dez anos no cargo, Dan Didio deixa chefia na DC Comics

Por Claudio Yuge | 25 de Fevereiro de 2020 às 10h10
Collider

A notícia pegou a todos de surpresa, mas quem acompanha a indústria mais de perto já via sinais disso vindo por aí: no final de semana, a Warner Bros decidiu mudar o comando da DC Comics e demitiu um de seus dois editores-chefe, Dan Didio. Agora, pelo menos por enquanto, Jim Lee continua ocupando o cargo sozinho.

Didio chegou à chefia em 2011, quando a DC passava por momentos de turbulência e se preparava para mudar de sede — algo que aconteceria em 2015, quando a companhia deixou Nova Iorque para Burbank, na Califórnia. Ele comandou o reboot em toda a linha de super-heróis, com os Novos 52, que acabaram não vingando muito.

O reboot Novos 52 aconteceu sob comando de Didio (Imagem: Reprodução/DC Comics)

Nesse tempo, conseguiu importantes conquistas comerciais e administrativas para a editora, como a produção de edições exclusivas para as redes varejistas Target e Walmart — uma estratégia que também influenciou o mercado das comic shops gringas. Embora tenha conquistado muita coisa perdida na linha editoral, com o Renascimento proposto por Geoff Johns, e com as sagas de Scott Snyder, a exemplo de Metal, Didio herdou um ambiente tóxico no trabalho e também se perdeu em meio à gestão de alguns de seus talentos e editores.

Além disso, seu próximo grande projeto, o Generation Zero: Gods Among Us, promete reformular todo o Multiverso DC com uma cronologia atualizada — e isso não é algo muito bem visto por Snyder, que tem bastante moral com a diretoria e pode até mesmo ocupar o lugar deixado por Didio.

Desgaste pode ter sido o culpado pela demissão

Desde 2011, antes mesmo de Didio assumir o controle e impor o seu estilo no ambiente de trabalho, a DC vem sendo criticada nos bastidores por vários funcionários e autores. Eddie Berganza, editor da linha Superman em 2012, foi acusado de assédio várias vezes.

Muitos autores diziam que não eram bem tratados pelo ex-editor-chefe, o que causou, por exemplo, a saída de Greg Rucka e J.H. Williams III do elogiado título Batwoman — houve mudanças de roteiro na trama em que a personagem se casava com outra mulher. Rob Liefied, criador do Deadpool, comemorou no Twitter e disse que Didio “atrasava a DC já há décadas”.

Por outro lado, artistas como o roteirista James Tynion IV, que trabalha com a linha do Batman, elogiaram sua passagem.

Mesmo com muitas críticas positivas em sua habilidade de delinear grandes projetos e gerenciar microambientes editoriais, a linha de quadrinhos adultos definhou de vez em suas mãos, culminando na demissão de mais uma mulher, a editora Shelly Bond. Diane Nelson, presidente da própria DC Entertainment, que tem uma ligação íntima com a diretoria da Warner Bros, passou a ficar mais de olho na DC Comics.

Generation Zero tem o Flash Wally West com poderes do Dr. Manhattan
(Imagem: DC Comics)

Nos últimos meses, haviam burburinhos internos sobre retrocessos editoriais e a sensação geral parecia ser de frustração, pois as mudanças previstas já há anos não vinham acontecendo. Vários editores deixaram seus cargos, a exemplo de Pat McCallum, Alex Antone, Molly Mahan, Rob Levin e outros. Não se sabe se tudo isso tem a ver exatamente com essa demissão, mas podem apostar que o desgaste ajudou.

Agora, não se sabe qual será o futuro do projeto 5G, que reconta toda a história DC com uma cronologia mais próxima da realidade e tem sua primeira edição em Generation Zero: Gods Among Us. Além disso, a minissérie dos Homens Metálicos, que tem seu roteiro, também permanece sem resolução. Vamos ver o que muda em breve.

Com informações do Collider

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