Spotify fecha acordo com a Universal para promover músicas na plataforma

Por Stephanie Kohn | 22 de Julho de 2020 às 16h26
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O Spotify anunciou na manhã desta quarta-feira (22), um acordo de vários anos com a Universal Music Group, que assegura os direitos de transmissão via streaming das músicas licenciadas pelo selo e promove uma parceria ainda maior no segmento de marketing.

De acordo com o TechCrunch, a plataforma de streaming de música quer lançar recursos inovadores para que gravadoras e artistas consigam alcançar mais fãs. A estratégia da companhia é gerar receita não apenas por meio das assinaturas do serviço e publicidades, mas também através da contratação de ferramentas de promoção de músicas.

Um bom exemplo é o Marquee, um recurso que patrocina lançamentos dos artistas por meio de recomendações aos usuários em formato de tela cheia. As campanhas, que são destacadas nas páginas iniciais, custam, no mínimo, US$ 5 mil, segundo documentos confidenciais que a revista Rolling Stone adquiriu no final do ano passado.

Vai funciona?

Obviamente os esforços do Spotify em vender ferramentas de marketing só vão funcionar se a empresa convencer as gravadoras de que são um bom negócio. No entanto, segundo uma matéria da Bloomberg publicada no ínicio do ano, as negociações não iam tão bem neste quesito. O veículo afirmou que os três principais selos ficaram frustrados com a tentativa da plataforma em fazê-los pagar mais para anunciar suas músicas de formas diferentes. Parece que as gravadoras acharam que as tais ferramentas de marketing seriam apenas novas maneiras da companhia reduzir os pagamentos de royalties.

Há outras preocupações a respeito deste novo tipo de marketing. Para os artistas independentes, a chance de promover músicas dentro da plataforma estaria restrito às gravadoras mais ricas - o que acabaria com a democracia de conteúdo. Além disso, eles acreditam ainda que uma guerra de anúncios se iniciaria e, assim como acontece em demais plataformas digitais, as empresas teriam que gastar cada vez mais para se manterem em destaque.

Sendo assim, o anúncio de hoje é importante e indica que talvez a estratégia do Spotify esteja finalmente dando certo. Não apenas a Universal está concordando em usar esse tipo de ferramentas, o que aumentará a receita da plataforma, mas também pode ajudar o Spotify a desenvolvê-las e eventualmente comercializá-las às demais gravadoras.

"Desde as primeiras experiências com Marquee, até o teste com novas experiências como o Canvas, o Universal Music Group tem sido um parceiro importante para ajudar a moldar o desenvolvimento de nossas ferramentas de marketing. Com o anúncio de hoje, expandiremos esse nível de inovação em estágio inicial e fortaleceremos ainda mais nossa parceria e visão compartilhada para ajudar os artistas em todas as etapas de suas carreiras", disse Daniel Ek, Chairman e CEO do Spotify. "Dissemos o tempo todo que o objetivo da nossa estratégia é aproveitar a capacidade do Spotify de conectar artistas com fãs em uma escala que nunca existiu antes e trazer novas oportunidades para a indústria. Juntos, esperamos criar novas ferramentas e ofertas para artistas de todo o mundo", finalizou.

Como ficam os artistas independentes nesta história são outros quinhentos. Até então, a plataforma era vista como democrática e uma grande aliadas dos músicos sem gravadoras, que conseguiam competir de igual para igual com os mais famosos. A empresa chegou até a testar uma ferramenta que permitia aos artistas carregarem suas músicas direto no Spotify, mas, agora que a Universal sinalizou estar disposta a destacar seus músicos por meio das ferramentas de marketing, a empresa deve cancelar o plano.

Fonte: TechCrunch

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