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Por que jogadores de futebol usam um "sutiã tech" por baixo da camisa?

Por  • Editado por Léo Müller |  • 

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Colete rastreamento futebol
Danilo Berti/Canaltech

Você costuma acompanhar partidas de futebol? Então provavelmente já reparou que, durante a comemoração de um gol ou após a partida, cada vez mais jogadores exibem uma espécie de top esportivo vestido por baixo da camisa. Mas, o que pode parecer ser apenas um "sutiã tech", é na verdade um aliado da performance dos atletas.

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O item é um colete de compressão que, sozinho, realmente não faria muita diferença. Mas o segredo está em um dispositivo acoplado nessa vestimenta, que é responsável por fazer o monitoramento em tempo real de diversos dados dos jogadores e, assim, auxiliar o trabalho da comissão técnica e o rendimento da equipe de diferentes formas.

Muito além do visual: o que há dentro do "top"?

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O colete em questão tem a função de abrigar um pequeno aparelho de rastreamento. Ele é bastante compacto, medindo geralmente entre quatro e cinco centímetros, sendo posicionado em um ponto estratégico para captar métricas do atleta.

Para entender a importância do posicionamento correto do dispositivo junto ao top e também o seu funcionamento, o Canaltech conversou com Will Lopes, CEO da Catapult Sports. A empresa é uma das principais desenvolvedoras de soluções de dados esportivos, tendo seus equipamentos e sistemas usados por diferentes equipes ao redor do mundo.

“Nós posicionamos o dispositivo entre as escápulas, na parte superior da coluna torácica, para otimizar a clareza do sinal de satélite e manter o hardware seguro durante movimentos de alto impacto. Esse posicionamento protege o atleta ao manter o dispositivo longe da parte frontal do tronco, tornando-o seguro para esportes de contato”, explica o executivo.

Dentro dessa “caixa preta”, as empresas do setor adicionam um pacote avançado de sensores responsáveis por registrar diversas informações. O aparelho conta com receptores de GPS com alta taxa de atualização, acelerômetros, magnetômetros e até mesmo integração com monitores de frequência cardíaca.

Da distância percorrida aos níveis de fadiga

O uso do aparelho significa que a comissão técnica tem em mãos dados sobre quase todos os movimentos do atleta em atividades como treinamentos e jogos. Isso porque o equipamento não mede apenas a distância percorrida, como também calcula níveis de fadiga, frequência cardíaca, arranques bruscos e impacto físico de uma dividida.

Lopes destaca que o sistema da Catapult também tem a capacidade de medir uma métrica exclusiva conhecida como “Player Load” (“Carga do Jogador”, em tradução livre).

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“Essa métrica é um dos pilares do sistema. Ela calcula o esforço dinâmico total medindo a aceleração instantânea e as mudanças de direção em três eixos (frente/trás, esquerda/direita e cima/baixo)”, ressalta o executivo.

E esses dados são usados pelas áreas da comissão técnica de diferentes formas. Para os fisiologistas, as informações do rastreador funcionam como um sistema de alerta precoce que monitora picos de carga de trabalho e sinaliza lesões iminentes, ajudando a definir sessões de recuperação específicas.

“Para um treinador, o foco é ajustar as cargas de treinamento. Durante os treinos, eles monitoram os dados da equipe para garantir que alcancem as intensidades desejadas. Se os jogadores ficarem abaixo do limite exigido para o dia do jogo, os treinadores estendem os exercícios ou aumentam o ritmo. Se os jogadores atingirem o limite, os técnicos diminuem a intensidade para garantir que se mantenham saudáveis”, pontua Will.
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Auxílio da IA e futuro com tecidos inteligentes

Acontece que único jogo de futebol gera milhões de pontos de dados biométricos de cada atleta, o que torna quase impossível analisar tudo a olho nu. Diante disso, os softwares de desempenho se integram aos recursos de inteligência artificial (IA) para que modelos de aprendizado de máquina examinem os padrões em tempo real.

Esse processo é crucial para automatizar os alertas médicos, que são enviados imediatamente às comissões caso algo fuja dos parâmetros considerados normais. Ou seja: a IA transforma um grande volume de dados em insights claros para os especialistas.

Mas as inovações não devem se restringir apenas ao software. O futuro aponta para um cenário de miniaturização dos sensores, eliminando a necessidade de usar o colete separado.

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“Vemos um futuro em que sensores vestíveis serão costurados diretamente nos equipamentos, coletando dados sem que o atleta sequer sinta que está usando um dispositivo. Trata-se de alcançar o equilíbrio perfeito entre o conforto total para o jogador e a precisão inegociável dos dados para a comissão técnica”, destaca Will Lopes.

Enquanto os tecidos inteligentes não fazem parte do dia a dia dos atletas, o uso dos coletes que acoplam o aparelho rastreador segue como a melhor solução para a coleta de métricas que permitem que as partidas de futebol sejam disputadas no seu mais alto nível.

E a integração entre tecnologia e futebol também está no impedimento semiautomático, que utiliza câmera de iPhone foi implementado no Brasileirão.