O Fim das Telas? Assistentes virtuais agora podem ser usados como pingentes
Por Redação |

A ideia de usar inteligência artificial fora do celular ganhou uma demonstração prática na TV. Durante participação ao vivo no CNN Tech, o apresentador do Canaltech Adriano Ponte mostrou um novo formato de dispositivo: um pingente com assistente virtual integrado, capaz de “ver” o ambiente e responder a comandos sem depender de tela.
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O aparelho faz parte do chamado Projeto Maxwell, desenvolvido pela Motorola, e foi exibido anteriormente durante a Mobile World Congress (MWC), em Barcelona. Diferente de conceitos que ficaram apenas no papel, o dispositivo já existe fisicamente e foi demonstrado em funcionamento, ainda que em estágio preliminar.
A proposta é simples na teoria, mas muda bastante o uso na prática. Em vez de abrir um app ou olhar para o celular, o usuário passa a interagir com a IA por meio de um dispositivo pendurado no pescoço.
Segundo Ponte, trata-se da mesma inteligência artificial já presente em celulares, relógios e óculos inteligentes, mas com mais um ponto de contato com o mundo.
“Você começou a conversa no celular, ela continua no relógio e pode continuar no pingente”, explicou durante a transmissão.
O dispositivo conta com câmera e sensores capazes de interpretar o ambiente. Em uma das demonstrações, ele identifica objetos e até pessoas ao redor, respondendo perguntas como “o que é isso?” ou “quem é essa pessoa?”.
A interação acontece sob demanda: o usuário toca no dispositivo, que então ativa a câmera e processa a informação. O retorno pode vir por áudio, via fones de ouvido ou caixas de som conectadas.
Do conceito ao produto funcional
O mercado já tentou algo parecido antes. Dispositivos como o AI Pin chegaram com a proposta de substituir telas, mas falharam na execução técnica.
A diferença agora, segundo a demonstração, está no estágio da tecnologia. O pingente da Motorola não foi apresentado apenas como conceito: ele foi exibido fisicamente, em funcionamento, e tratado como um produto próximo da realidade.
Isso muda a leitura da indústria. Em vez de promessas, há um indicativo de que o processamento distribuído — em diferentes dispositivos conectados — já começa a sair do papel.
Apple e outras marcas seguem o mesmo caminho
O movimento não é isolado. Rumores indicam que a Apple também trabalha em dispositivos vestíveis focados em IA, com a proposta de reduzir a dependência da tela do iPhone.
Durante a apresentação, Ponte destacou justamente essa diferença: enquanto outras empresas aparecem em vazamentos e patentes, a Motorola já levou o hardware para demonstração pública.
A tendência é que outras fabricantes sigam o mesmo caminho, transformando esse tipo de dispositivo em mais um elemento do ecossistema — ao lado de celulares, relógios e óculos inteligentes.
Pode chegar ao Brasil?
Aqui entra um ponto estratégico. A Motorola tem forte presença no mercado brasileiro, com estrutura de produção e distribuição já estabelecida.
Na prática, isso significa que, caso o produto avance para lançamento comercial, a chegada ao Brasil pode ser mais rápida do que em dispositivos de nicho de outras marcas.