Criar uma casa inteligente é mais difícil do que parece

Criar uma casa inteligente é mais difícil do que parece

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 17 de Fevereiro de 2022 às 17h18
Eric Mockaitis/Canaltech

Os produtos da casa inteligente começaram a se popularizar no Brasil, com cada vez mais opções no mercado. Como eu trabalho com tecnologia há muito tempo, resolvi iniciar um projeto de conectar o máximo de dispositivos possíveis em casa e facilitar o meu dia a dia.

Mas encontrei alguns desafios para os quais eu não estava preparado, além de alguns que eu já sabia que teria pela frente. Claro que tudo começa com os preços, impraticáveis para grande parte da população brasileira — que eu contornei com um projeto de longo prazo, começando com poucos dispositivos e avançando devagar.

Mas há outros problemas para você se preparar antes de começar um projeto tão grande. Eu vou listar os principais que encontrei e, ao final, sugiro algumas soluções.

O que é uma casa inteligente?

Também chamada de Casa Conectada, trata-se de um local em que os dispositivos eletrônicos estão conectados e podem ser controlados pela internet. O processo também é chamado de automação residencial, porque você pode programar luzes e eletrônicos para ligar e desligar em horários definidos.

Isso permite que as luzes da varanda, por exemplo, acendam todos os dias perto do pôr do sol, e apaguem poucos minutos antes de você ir dormir.

Dá para criar várias rotinas, desde despertadores com música, notícias e resumo da agenda e do clima do dia até a lavagem de roupas automática.

De início, eu comecei automatizando as luzes do meu apartamento. Com isso, eu poderia acendê-las tanto com a voz, ao falar com o Assistente do Google, como pelo celular, no app Google Home.

Uma das vantagens seria o comando de voz para “apagar todas as luzes em cinco minutos”, quando eu começava a me preparar para sair, ou na hora de dormir.

Como eu moro em apartamento, não vi muita necessidade de incluir dispositivos de segurança como câmeras ou sensores de presença. A ideia era simplificar minha vida e permitir acender ou apagar luzes, principalmente, sem precisar levantar e ir até o interruptor.

Por que criar uma casa inteligente é mais difícil do que parece?

Eu enfrentei alguns problemas, que vão de dificuldades técnicas a financeiras. Começando com os altos preços dos dispositivos, que me impossibilitou de testar produtos diferentes como gostaria. Além disso, optei por automatizar a casa com o Assistente do Google, em vez da Alexa, o que se provou um erro com o passar do tempo.

Vou explicar cada ponto mais detalhadamente. Então, calma, que eu já falo dessa parte da escolha do assistente virtual.

Preço dos gadgets

Para conectar os dispositivos da sua casa, é necessário fazer um investimento. E não é pequeno, já que até mesmo uma lâmpada inteligente tem um custo alto. Hoje em dia, dá para encontrar modelos confiáveis por cerca de R$ 40, mas na época que eu comecei o projeto, dependia de promoções a R$ 60.

Há alternativas para as lâmpadas inteligentes, mas não sei se vale a pena. Existem bocais inteligentes, que são adaptadores para rosquear no soquete e depois colocar a lâmpada, e aí a luz tradicional pode se conectar à internet, de certa forma. Porém, esses produtos podem ser tão caros quanto uma lâmpada inteligente, então não faz sentido este investimento.

Há também os interruptores inteligentes que substituem as teclas que você tem em casa ou ainda adicionam um pequeno hardware dentro da parede para manter o interruptor original intacto.

Essa segunda opção é a mais barata, mas ela requer conhecimento mais profundo sobre elétrica para fazer a instalação.

Casa inteligente inclui lâmpadas, tomadas e outros dispositivos para controle por voz ou pelo celular (Imagem: Pixabay)

Mas uma casa inteligente não se faz apenas com iluminação conectada, não é? Para aproveitar melhor o potencial desses dispositivos, é interessante você ter um assistente virtual instalado, como uma Alexa, da Amazon, ou um Nest, do Google. Este investimento pode variar de R$ 230 pela Echo Dot de 3ª geração, ou R$ 200 pelo Google Nest Mini.

Além disso, para ligar ou desligar eletrônicos ou eletrodomésticos que não têm conexão com a internet de fábrica, pode ser interessante procurar tomadas inteligentes. Eu consegui uma promoção legal e comprei logo três por menos de R$ 30, mas o preço mais comum é na faixa dos R$ 60.

Não parece tanto, mas se você quer ter uma casa conectada de verdade, precisa de mais do que uma lâmpada e uma tomada. Aí o preço somado de todos os dispositivos fica bastante alto. Eu fiz aos poucos, e mesmo depois de mais de um ano, ainda estou com apenas três cômodos automatizados em casa.

Não vou colocar na ponta do lápis tudo o que gastei até agora, mas não foi pouco. E não cheguei nem na metade da automatização da casa, ainda.

Agora, se você está reformando ou construindo uma casa e já quer que ela seja inteligente desde o início, o investimento compensa bastante. Interruptores e tomadas inteligentes são mais caros, mas já que você já vai investir e tem um eletricista para fazer a instalação, o gasto extra é justificado.

Opções de assistente virtual

Este é um tópico que vou abordar com mais profundidade em outro texto, mas já adianto um resumo aqui. No Brasil, só existem dois assistentes virtuais para a casa inteligente: Alexa, da Amazon, ou o Assistente do Google. Qualquer outro vai ter limitações demais e não vale a pena apostar.

E para piorar, apenas as soluções da empresa fundada por Jeff Bezos chegam em diversos modelos por aqui. O Google só lançou oficialmente duas versões de Nest por aqui. E ambos são apenas alto-falantes inteligentes, o Mini e o Audio.

Dispositivos Echo, com Alexa, têm a maior variedade de opções no Brasil (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Já os dispositivos Echo são diversos, e com várias atualizações. A Echo Dot já está na quarta geração, bem como a Echo, que seriam os concorrentes de Nest Mini e Nest Audio, respectivamente. Mas tem mais modelos da Amazon por aí.

A gigante varejista também trouxe para cá seus smart displays, que oferecem interface com tela sensível ao toque para facilitar ajustes e controle dos dispositivos conectados. Assim, você pode colocar uma Echo Dot no quarto e uma Echo Show na sala, por exemplo, e fazer comandos por voz ou na tela.

O Google tem potenciais concorrentes para esses produtos, mas não lançou o Nest Hub por aqui. A empresa permite que outras fabricantes utilizem a interface para criar seus próprios dispositivos, mas nenhuma lançou smart display oficialmente por aqui.

Assim, quem quer uma tela para facilitar o acender e apagar de luzes da casa fica restrito à Amazon. Ou dependente do celular, para usar o app Google Home.

Engarrafamento da rede

O terceiro ponto é um pouco mais complicado de contornar do que os anteriores, e também mais técnico. Vou tentar explicar com uma analogia simples só para todo mundo entender. Trata-se de um congestionamento na rede doméstica, causado pelo excesso de “veículos” (dispositivos) conectados.

A rede é como uma avenida, com faixas para os “carros” (ou dados) trafegarem. Quanto mais dispositivos você tiver conectados ao seu modem ou roteador Wi-Fi, mais congestionada a rede vai ficar. Há um número limitado de “pistas” para os dados transitarem, e o excesso pode tanto causar lentidão quanto derrubar a sua conexão.

Eu tenho um modem Wi-Fi da operadora de internet e também uso um roteador Wi-Fi conectado a ele. Isso me dá um total de quatro redes para distribuir os dispositivos. Porém, o recomendado é que eles estejam todos na mesma, para que o assistente — seja um Google Nest ou um Amazon Echo — consiga encontrá-los para a configuração.

Por sorte, a maior parte das lâmpadas e tomadas que eu comprei ficam limitadas à frequência de rede de 2,4 GHz, o que libera a faixa de 5 GHz para celulares, TVs, computadores e outros dispositivos da casa. Ainda assim, chegou uma época em que eu precisava reiniciar o roteador todo dia, porque a conexão sempre caía.

Adaptação às novidades

Por fim, outro problema é a adaptação dos seres humanos à nova realidade. É verdade que os moradores da casa se acostumam rápido, mas e as visitas? É chato ter que explicar toda vez como acender ou apagar as lâmpadas.

O que eu posso recomendar é que seus primeiros investimentos sejam em interruptores conectados, e não em lâmpadas. Até porque é muito mais fácil ter como acender ou apagar as luzes do ambiente tanto pelo celular quanto na parede do que ensinar cada pessoa que frequenta sua casa a usar um comando de voz ou uma tela para isso.

Programar luzes e eletrônicos para acender e apagar em horários determinados é uma das belezas da tecnologia (Imagem: Divulgação/Positivo)

Os interruptores inteligentes não têm uma posição para ficar ligado e outra para ficar desligado: eles alternam a função ao serem acionados. Ou seja, se você desligar uma lâmpada pelo celular ou com comando de voz, pode acender de novo na parede sem nenhum problema.

Você pode trocar os interruptores da casa por modelos inteligentes ou apenas comprar módulos que tornam uma versão analógica de interruptor ou tomada em um modelo conectado.

Conclusão

Existe uma solução para resolver cada problema que eu citei aqui. Por sorte, você que está começando agora já tem a minha experiência para usar de exemplo e evitar essas questões.

O tamanho do investimento vai depender da sua disposição em fazer a evolução aos poucos ou de uma vez. Se não tiver problema em fazer a transição em fases, dá para ficar de olho em promoções e aproveitar os melhores preços para comprar tudo aos poucos. Eu recomendo seguir o Canaltech Ofertas para aproveitar os melhores descontos.

Sobre o assistente virtual a ser utilizado, não tem muito como fugir: ou você aproveita o ecossistema mais completo da Alexa disponível no Brasil, ou se arrisca com menos opções, mas uma integração mais fácil com o celular pelo Google. Siri, Bixby ou qualquer outro só vão funcionar se você tiver muitos dispositivos das marcas distribuídos pela casa.

Quanto ao engarrafamento na rede, a sugestão é comprar um roteador mesh. Eu ainda estou estudando as opções e os preços, e não é um investimento baixo. Mas você pode criar uma malha com vários pontos pela casa e fortalecer o sinal, além de abrir espaço para muito mais dispositivos conectados à rede doméstica.

Por fim, para se adaptar bem às novidades, o jeito é jogar com a tecnologia ao seu favor. Eu vou começar a investir em módulos para os interruptores e algumas tomadas aqui em casa, e espero que isso resolva bem a questão.

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