Remoção de softwares piratas aumentou 9% em 2019, indica ABES

Por Rafael Arbulu | 30 de Maio de 2019 às 12h54

A pirataria de software vem ampliando sua influência devido ao compartilhamento de anúncios, sites e links divulgando ofertas de programas e aplicações proprietárias de empresas. Segundo levantamento publicado pela Associação Brasileira de Empresas de Software (ABES), a entidade denunciou e removeu 22.197 conteúdos ilegais da internet no primeiro trimestre de 2019 — todos, relacionados a programas cuja propriedade intelectual pertence a quaisquer das empresas associadas à ela.

Esse número representa um aumento de 9% nas remoções em comparação com o mesmo período de 2018. Diz a ABES que detectou 42 sites que violavam o Direito Autoral de Programas de Computador, sendo que 28 deles foram removidos com sucesso. Isso representa um aumento de 90,91% e 100%, respectivamente. No que tange a anúncios derrubados, também foi registrado crescimento (16,61%), chegando aos 12 mil no primeiro trimestre deste ano, em oposição aos 10 mil no mesmo período em 2018.

A menor taxa de crescimento vem na área de links removidos, com percentual de 1,49%. A baixa taxa, segundo a ABES, se dá pelo fato de que a maioria das denúncias recebidas pela entidade remetem a sites, páginas e anúncios, e nem tanto sobre links diretos.

"Nos últimos meses, o Mercado Livre atualizou de forma radical o seu sistema de PPPI (Programa de Proteção à Propriedade Intelectual), do qual a ABES é membro desde sua criação. Com as mudanças implementadas, conseguimos identificar e denunciar vários produtos piratas de uma só vez, otimizando em muito o nosso trabalho de pesquisa. Além disso, agora também é possível monitorar produtos e perfis no site, facilitando a identificação de casos reincidentes", explica Rodolfo Fücher, presidente da ABES. O programa de monitoramento da ABES teve seu início em meados de 2005.

Casos de pirataria de software sofreram redução, mas ainda possuem números expressivos, segundo a ABES

A ABES alega ter derrubado mais de 650 mil conteúdos ilegais do tipo desde o início do programa, contribuindo para a redução do percentual de pirataria de software pelos últimos 14 anos. Em 2005, esse índice era de 64%, sendo que em 2019 ele apresenta percentual de 46%, segundo pesquisa conduzida pela BSA/Software Alliance. Apesar da redução considerável, o número ainda é expressivo e reflete negativamente no mercado.

"É um trabalho lento, que demanda horas de pesquisa e monitoramento para identificar qualquer movimento online que viole o Direito Autoral de Programas de Computador. No entanto, esse trabalho tem se tornado cada vez mais rápido e eficiente graças ao auxílio de sistemas como o PPPI do Mercado Livre e denúncias feitas por nossos associados", afirma Fücher.

A ABES reforça o alerta para os consumidores de produtos das empresas associadas à entidade, rogando pela atenção redobrada em anúncios. Alguns deles, argumenta a entidade, trazem ofertas excessivamente vantajosas, “boas demais para serem verdade”. “Mesmo em sites conhecidos, quando o consumidor encontra uma oferta com valores atrativos e muito discrepantes do comum é melhor desconfiar, porque além de não funcionar em sua totalidade, o software ilegal ainda pode vir carregado com vírus", alerta o presidente da entidade.

A ABES representa representa aproximadamente 2 mil empresas, que totalizam cerca de 85% do faturamento do segmento de software e serviços no Brasil, distribuídas em 23 Estados brasileiros e no Distrito Federal e foi fundada em 1986.

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