Os riscos de baixar ilegalmente os programas da Adobe

Por Redação | 04 de Setembro de 2020 às 10h13
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Quem acompanha o noticiário de tecnologia sabe que, todos os dias, há uma nova notícia de golpe ou malware em proliferação. Engana-se, porém, quem pensa que tais campanhas atingem apenas grandes empresas, celebridades ou contas com muitos seguidores nas redes sociais, com os usuários comuns também se tornando vítimas de propostas que, muitas vezes, não são bem o que parecem, na forma de supostas ofertas de softwares gratuitos.

A proposta é tentadora, afinal de contas, quem não gosta de receber as coisas de graça? A ideia de obter sem custo aplicativos a serem utilizados no dia a dia do trabalho, estudo ou lazer também pode soar interessante, claro, mas esconde riscos a curto e longo prazo para seus usuários. Afinal de contas, softwares como o Photoshop e Premiere, quando baixados fora dos sites oficiais, podem trazer surpresas bem desagradáveis para acompanhar a tentadora gratuidade.

Cuidado com as fontes

Aplicativos piratas são baixados a partir de fontes não confiáveis, que podem esconder malwares ou encher a tela do usuário de anúncios indesejados (Imagem: Business Insider)

Softwares pirateados, crackeados ou alternativos, em um eufemismo muito usado, não são distribuídos fora dos marketplaces oficiais, a não ser em caso de promoções. Para fazer o download sem custos, o usuário deve procurar outros meios, que normalmente envolvem plataformas de torrent ou sites que não fazem parte do ecossistema da Adobe. Tais soluções são disponibilizadas por terceiros e, também, podem muito bem ser manipuladas por eles, algo de que falaremos a seguir.

Além disso, há um custo envolvido no oferecimento de tais arquivos, com a oferta de gratuidade normalmente sendo apresentada em páginas que carregam uma grande quantidade de anúncios e podem abrir pop-ups de propaganda de forma sequencial. Clicar em links que tentam, equivocadamente, passar a aparência de serem legítimos pode levar o usuário a sites impróprios ou induzi-lo a baixar soluções maliciosas para o computador.

Além disso, muitas destas páginas abertas podem iniciar downloads automaticamente, novamente entregando possíveis soluções maliciosas diretamente para o computador do usuário. Estes executáveis podem ser de diversos tipos, como aplicações que substituem anúncios legítimos por propagandas sob o controle de hackers ou mineradores de criptomoedas, além de softwares que registram dados digitados ou podem roubar informações pessoais ou bancárias.

Malwares embutidos e antivírus desligado

Softwares não oficiais precisam ser manipulados para que funcionem sem a ativação original, o que significa que malwares também podem ser embutidos nas soluções (Imagem: Michael Geige)

O segundo risco aparece na hora do próprio download. Os aplicativos piratas da Adobe, normalmente, incluem o instalador legítimo dos softwares, acompanhado de uma segunda ferramenta voltada para burlar o sistema de ativação dos programas. Assim, é possível usar o Lightroom ou o Illustrator sem limitações enquanto o próprio sistema acredita estar rodando uma versão oficial.

Tais aplicações, entretanto, também podem esconder seus perigos. Muitas delas serão detectadas como maliciosas por softwares de segurança antes mesmo da execução, assim que são baixadas para o computador. Por isso mesmo, acabam exigindo que antivírus e outros aplicativos de proteção sejam desligados para que o processo de crackear o software legítimo aconteça, expondo o usuário a riscos adicionais que também podem fazer parte do pacote baixado de forma não oficial.

Aqui, vale a o mesmo do item anterior, com os mecanismos usados para piratear os programas podendo trazer, junto, malwares que usam a máquina do usuário para minerar criptomoedas ou instalar adwares ou aplicativos de roubo de dados. Essa pode nem mesmo ser a intenção original do criador do crack, mas como softwares assim são distribuídos livremente e passam por diversas mãos até chegar à sua, não há garantia de que “algo a mais” não foi embutido ali.

Falta de atualização

Atualizações de software são necessárias para resolver bugs, problemas de funcionamento ou falhas de segurança. Softwares falsificados não recebem tais updates (Imagem: Tumisu/Pixabay) 

Os updates liberados pelas empresas de software não são apenas formas de acrescentar novos recursos ou resolver bugs, mas servem também para fechar falhas de segurança ou problemas que tenham sido detectados por especialistas. Programas piratas, entretanto, não recebem tais correções e acabam permanecendo com as portas abertas para eventuais explorações, colocando seus usuários em mais uma categoria de risco.

Aplicativos como Photoshop e Lightroom se conectam à internet para receber tais updates, que são liberados de acordo com a validação de credenciais de assinantes legítimos. Versões pirateadas, por outro lado, não realizam esse tipo de conexão, já que elas flagrariam o estado crackeado do software e bloqueariam sua execução. Você não paga, mas não é como se essa conta realmente saísse de graça.

Interrupção no funcionamento

Cracks e ferramentas de validação falsas funcionam burlando sistemas de verificação oficiais e, como tais, podem estar suscetíveis a falhas que podem acabar impedindo o uso do software pirateado. Atualizações do Windows, por exemplo, podem “quebrar” alguns recursos ou impossibilitar a utilização de outros; um aplicativo legítimo receberia as atualizações devidas, mas um falsificado não.

Da mesma forma, não há garantia de que essa tentativa de se esquivar da verificação funcionará para sempre. O download de uma atualização do software, sem querer, pode acabar fazendo com que a máscara caia, enquanto outras possibilidades de conexão do aplicativo podem acabar sendo usadas pelos fabricantes originais para verificar a autenticidade das aplicações que estão sendo usadas por aí.

Problemas com a lei

Uso de softwares falsificados em empresas pode acarretar multas bem maiores que o valor que seria investido em uma licença oficial (Imagem: NESA by makers/ Unsplash)

Além dos riscos para a segurança e confiabilidade citados acima, que se tornam ainda maiores no ambiente corporativo pois toca em questões como a privacidade de clientes e a integridade de dados confidenciais, o uso de aplicativos não oficiais podem levar a questões legais devido à não aquisição das licenças devidas para uso profissional.

Novamente, a ideia de obter de graça os aplicativos necessários para o cotidiano do trabalho pode parecer tentadora e capaz de reduzir custos. Na prática, as perdas podem ser ainda maiores em multas, que no Brasil, podem ser de até três mil vezes o valor da compra dos softwares. Esse total é calculado de acordo com o tamanho da companhia e o número de versões irregulares sendo usadas em seu ambiente.

Isso vale, inclusive, para instalações feitas pelos próprios funcionários sem o consentimento de superiores. Auditorias e fiscalizações podem acontecer a qualquer momento e, em prol da segurança e também para evitar prejuízos financeiros e à imagem da marca, o ideal é adquirir as licenças devidas e realizar os trabalhos de forma oficial.

Comprar o Photoshop deixou de ser caro

Há muitas luas, os recém-formados em faculdades de edição de imagem ou vídeo precisavam investir uma grana considerável para comprar uma cópia do Photoshop, Premiere ou outros programas do Creative Cloud, o pacote com softwares de uso criativo desenvolvido pela Adobe. Agora, no entanto, a empresa começou a praticar um sistema de assinaturas, democratizando o acesso a suas ferramentas profissionais. Confira os preços:

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