Chip de segurança do MacBook Pro impede o reparo por terceiros

Por Rubens Eishima | 05 de Maio de 2020 às 16h30
John Bumstead/Twitter
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Uma reportagem do site Vice mostrou o impacto do chip de segurança implementado no MacBook Pro em serviços de reparo e reciclagem de eletrônicos. O processador Apple T2, ao mesmo tempo em que protege o aparelho contra invasões e furto, dificulta a vida de quem precisa apenas consertar o computador.

Com a adoção do chip T2, a manutenção dos computadores da Apple praticamente só pode ser realizada por uma oficina licenciada pela empresa, com a utilização de equipamentos específicos, não disponíveis no mercado.

“Literalmente a única opção é destruir estes belos MacBooks de US$ 3.000 [R$ 16,6 mil] e recuperar os US$ 12/cada [R$ 67] que valem como sucata” escreveu o técnico John Bumstead em sua conta no Twitter.

Operações simples, como a formatação do SSD ou o uso de drives externos para inicializar o sistema, são bloqueadas por padrão com a senha de usuário. Por isso, ao se livrar do equipamento, o dono precisa redefini-lo para as configurações de fábrica, o que não pode ser feito por empresas especializadas em revender (ou “reciclar”) equipamentos usados.

O processador é encontrado em toda a gama de produtos da Apple atualmente e impede até mesmo a troca de alguns componentes. No caso de equipamentos de empresas e escolas, é preciso fazer um descadastramento de cada um deles, o que não pode ser realizado pelo revendedor/reciclador.

Lados opostos

Muitas pessoas, incluindo clientes da Apple, acreditam que isso não passa de um mal necessário, já que a burocracia que inutiliza os aparelhos no mercado de usados faz o mesmo com equipamentos roubados, tirando o interesse de criminosos em roubar MacBooks com o intuito de revender a máquina (que é bem cara). Algo semelhante acontece com iPhones recentes.

Por outro lado, ao dificultar reparos independentes, a Apple pode complicar a vida de quem não possui uma assistência autorizada da marca por perto. Por sorte, é possível encontrar oficinas nas principais capitais do país — já para quem mora no interior...

Manauaras ao menos têm uma opção para consertar seus caríssimos MacBooks (imagem: Apple/reprodução)

Apesar de diminuir o potencial de roubo do aparelho, a dificuldade imposta pelo uso do chip encarece reparos no computador, o que pode ter como consequência o aumento no volume de lixo eletrônico produzido.

Fonte: Vice

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