Análise | Compaq Presario CQ-17 aposta no Intel Optane

Por Pedro Cipoli | 05 de Setembro de 2019 às 11h38

Apesar de menos famosa atualmente, a Compaq continua desenvolvendo produtos como subsidiária da HP. A estratégia utilizada é bastante comum no mercado: anunciar um mesmo produto com diferentes opções de configuração. Esse é o caso do Presario CQ-17 que vamos conhecer hoje, um modelo bastante básico que se destaca por trazer o Intel Optane.

Uma estratégia secundária é utilizar componentes mais antigos para diminuir o valor final. Estratégia essa que não é sempre negativa, já que gerações anteriores são perfeitamente capazes de atender à grande maioria dos usuários. Mas será que é o caso aqui? Bom, vamos lá.

Design e construção

O Presario CQ-17 não é um produto feio, trazendo uma estrutura de plástico que lembra metal escovado. Não esconde que é um modelo básico, mas se destaca por ser mais fino do que a média, com 1,7 cm de espessura. Um destaque, aliás, já que modelos mais básico não costumam ser tão finos.

Do lado direito temos o conector de energia, uma saída HDMI, duas portas USB 3.0 e uma USB 2.0, uma USB-C e a saída do conector de fones de ouvido. Do lado esquerdo temos somente a entrada para cartões SD e a trava Kensington. Essa distribuição já oferece pistas sobre a posição da placa-mãe e mostra que I/O não é um problema aqui.

Tela, teclado e touchpad

A tela é uma das mais básicas encontradas atualmente. Tem 14 polegadas e é bastante simples, o suficiente para tarefas comuns. Vem também com alguma capacidade antirreflexo, mas podemos dizer com alguma segurança que é isenta de qualidades. Mas o problema aqui mesmo é o teclado.

  • Dimensões: 344 x 242 x 17.6 mm
  • Peso: 1.5 kg

As teclas são duras, mais pesadas do que deveriam ser para um modelo estilo chiclete, não oferece retroiluminação, enfim, é um teclado genérico utilizado em notebooks mais básicos. É pouco diferente do presente em modelos de baixo custo, sendo um dos principais pontos negativos do Presario CQ-17.

Já o touchpad é curiosamente confortável e bem construído. Poderia ser um pouco maior aproveitando para a área disponível para ele, mas tem uma boa precisão e até dispensa o mouse em alguns trabalhos mais rápidos.

Configuração e desempenho

Temos um processador Intel Core i5 de sétima geração (i5-7200U), um modelo dual-core de baixa tensão capaz de rodar o Windows 10 com diversos programas abertos sem grandes problemas. Vem, porém, com apenas 4 GB de memória RAM, o que limita severamente a experiência de uso. Basta abrir algumas abas no Chrome para exigir toda a memória disponível.

Mas temos o grande destaque do Presario CQ-17: a memória Optane de 16 GB. Ela funciona como um cache para o disco rígido de 500 GB, acelerando tarefas mais comuns. Funciona? Sim, e muito bem. Não é a performance encontrada em um SSD convencional, mas certamente é uma melhoria e tanto em relação ao disco rígido comum.

De qualquer forma, é uma boa notícia para upgrades futuros. Há um slot M.2, utilizado pelo Optane, e outro SATA. Ou seja, é possível ter até dois SSDs de alto desempenho em uma máquina que é, por definição, básica. Também é possível atualizar a memória RAM para até 16 GB, já que há apenas um slot disponível. Para um modelo básico, é uma margem e tanto para upgrades.

Som, bateria e extras

O sistema de som é bastante básico, com duas caixas na parte da frente, sendo o esperado de um modelo de entrada. Curiosamente, perto da caixa de som direita, temos o cooler de resfriamento, uma posição um tanto inusitada. Abrimos o Presario CQ-17 e vimos que há um “túnel” entre ele e a saída de ar perto da dobradiça, passando pela placa-mãe.

Notem a distância do cooler até o dissipador.

É um sistema eficiente? Discutível, mas o fato é que a máquina pouco esquenta. O uso de um processador de baixa tensão sem uma GPU dedicada ajuda bastante, é claro, mas o fato é que o CQ-17 não apresentou problemas de aquecimento.

Não podemos deixar de mencionar o sensor de impressões digitais do lado direito. A configuração é feita em “Opções de entrada” dentro das configurações do Windows, não exigindo nenhum trabalho adicional. É uma opção segura de acesso, como acontece com smartphones, e acabamos nos acostumando a usar depois de alguns tempo.

Discreto, preciso e fácil de configurar.

Por fim, vale mencionar que a bateria aguenta apenas 2 horas de uso, quando muito. Com o uso mais intenso esse valor cai para 1 hora e meia, o que acontece não pela configuração em si, mas pela pequena capacidade instalada (3000 mAh).

Conclusão

O preço sugerido do Presario CQ-17 é de R$ 2.999 na versão que testamos, lembrando que ele tem outras configurações mais básicas. Esse é o modelo mais “potente” da linha, trazendo Core i5 e Intel Optane, mas isso justifica o investimento? Bom, temos alguns problemas aqui.

Em primeiro lugar, é difícil justificar um investimento de R$ 3.000 em uma máquina com 4 GB de memória RAM. Basta abrir algumas abas do navegador para começar a observar lentidões, e mesmo que um upgrade para 8 GB (ou 16 GB) de RAM não seja tão difícil — ou mesmo custoso —, não é o tipo de experiência que o consumidor espera encontrar por esse valor.

O principal problema do Presario CQ-17: 4 GB de memória RAM (e apenas um slot).

O Core i5 é de um modelo de baixa tensão da sétima geração, oferecendo uma experiência básica. Ele é “ajudado” pelo Optane, uma excelente solução para a lentidão dos HDs. É uma máquina rápida, mas apenas para tarefas mais simples, já que a memória RAM realmente penaliza o resto da configuração. É como um carro que começa a ficar fraco quando levamos alguém no banco do passageiro (que dirá se levar mais pessoas no banco de trás).

No fim das contas, o Presario CQ-17 vale a pena se aparecer em uma promoção por um valor bem mais acessível. Mais do que isso, para quem estiver disposto a fazer um segundo investimento atualizando sua configuração. Isso em um futuro bem próximo.

Vantagens

  • O Optane faz uma diferença em uma máquina básica;
  • O processador Intel Core i5 de sétima geração ainda entrega um bom desempenho;
  • Touchpad de qualidade;

Desvantagens

  • 4 GB de memória RAM...não dá. Ainda mais para uma máquina de R$ 3000;
  • Teclado pouco confortável;
  • Bateria abaixo do esperado;

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.