Treta! Japão tira status comercial preferencial da Coreia do Sul; entenda

Por Felipe Ribeiro | 02 de Agosto de 2019 às 12h34
The Japan Times

O governo do Japão aprovou nesta sexta-feira (2) a remoção da Coreia do Sul de uma "lista branca" de países com status de comércio preferencial, o que certamente alimentaria o antagonismo sobre os recentes controles de exportação e a questão da compensação dos trabalhadores sul-coreanos em tempos de guerra.

A decisão de expandir os controles sobre as exportações entra em vigor ainda neste mês, mais precisamente em 28 de agosto. Ela segue um requisito anterior de que as exportações de empresas japonesas para a Coreia do Sul sejam aprovadas caso a caso para três materiais usados ​​em semicondutores, smartphones e outros dispositivos de tecnologia — as principais exportações do país. Isso pode, inclusive, atrapalhar a Samsung na produção de telefones. Vale lembrar que a gigante sul-coreana está prestes a lançar o Galaxy Note 10 e muitos dos componentes vêm do Japão.

O ministro do comércio, Hiroshige Seko, disse que a decisão é necessária para "realizar adequadamente os controles de exportação para fins de segurança nacional" e se baseou nos controles de exportação "insuficientes" da Coreia do Sul. Além de aumentar as tensões entre os vizinhos asiáticos, o movimento vai se espalhar pelo setor da alta tecnologia, afetando ainda mais as cadeias de fornecimento já abaladas pelas tensões comerciais entre os EUA e a China.

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A perda do status comercial preferencial também será aplicada a mais de 200 outros itens que exigem inspeção individual para exportações para todos os países. Acabar com o status da Coreia do Sul de "país branco" também significaria que o Japão poderia limitar as exportações de qualquer produto por motivos de segurança nacional, incluindo armas.

A Coreia do Sul, evidente, não está nada satisfeita com isso e prometeu uma resposta firme em relação à decisão do Japão. Em comunicado lido em um canal de TV nacional, a porta-voz da Casa Azul (escritório executivo e residência oficial do chefe de Estado e de governo sul-coreano), Ko Min-jung, disse que Seul se comprometeu a resolver diplomaticamente a sua disputa comercial com Tóquio e agora vai responder severamente às medidas japonesas, que ele considera "injustas".

Estabelecimentos coreanos pedem boicote a produtos japoneses/ Imagem: Associated Press

A Coreia do Sul afirma que as restrições ao comércio japonês podem prejudicar sua economia dependente das exportações e acusou o Japão de armar o comércio para retaliar as disputas decorrentes do passado de guerra entre as duas nações.

Já o Ministério do Comércio do Japão diz que Seul prejudicou uma "relação de confiança" nos controles de exportação depois de repetidamente ignorar ou adiar os pedidos nipônicos para explicar porquê o país considerava isso um problema. "Aprovações de tais exportações podem levar até 90 dias, diminuindo, mas não interrompendo, as remessas. O procedimento padrão funciona bem com outros países e não deve ser um problema com a Coreia do Sul", disse Seko.

O Samsung Galaxy Note 10 pode ter sua produção afetada

Seko também disse que a remoção do status comercial preferencial da Coreia do Sul significa que o país recebe um tratamento padrão, assim como qualquer outro país da Ásia e de outros lugares, e não deve afetar as relações bilaterais. "Não temos nenhuma intenção de afetar as relações entre o Japão e a Coreia, e não é para ser uma retaliação", explicou. "Espero que a Coreia do Sul entenda que isso não é uma proibição de exportação", completou.

Quando isso começou?

A relação comercial entre os países azedou devido aos pedidos da Coreia do Sul por recompensa ao trabalho duro de coreanos em fábricas e empresas japonesas antes e durante a Segunda Guerra Mundial, uma questão que o Japão afirma ter sido resolvida segundo as regras do tratado de 1965.

O Japão ainda nega as alegações de Seul de que os controles de exportação foram impostos como retaliação às decisões dos tribunais sul-coreanos, que permitiram que os ativos das empresas japonesas fossem confiscados pelo uso em tempo de guerra dos trabalhadores coreanos.

Fonte: Market Watch

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