O que muda no mercado brasileiro após a fusão entre Dell e EMC

Por Rafael Romer | 08.09.2016 às 19:22

Após quase um ano de negociações, a nova Dell Technologies surgiu oficialmente nesta quarta-feira (7) como a maior empresa de tecnologia com capital fechado do mundo, com uma receita anual estimada em US$ 74 bilhões.

Com posição de liderança em setores como computação pessoal e storage, a nova companhia busca agora alavancar os pontos fortes de cada uma das empresas sob seu guarda-chuva (Dell, Dell EMC, Pivotal, RSA, Secure Works, Virtustream e VMWare), em um modelo semelhante à antiga federação da EMC.

"A federação olhava para essas empresas de uma forma tão independente que nem para o desenvolvimento de soluções elas trabalhavam juntas", comentou Luis Gonçalves, presidente da Dell Brasil. "Nós vamos ter um conceito de independência do ponto de vista de governança, mas o que pudermos fazer juntos, faremos".

O verdadeiro impacto da fusão nas operações da Dell e EMC, no entanto, deve variar de mercado para mercado. Em países com operações de pequena escala, a expectativa é que haja uma "hospedagem" de uma companhia dentro da outra, conforme a configuração e as características de cada mercado.

Já o Brasil segue sendo uma operação estratégica da nova empresa, ao lado de mercados como México, China e Índia, o que deve garantir que a Dell Technologies atue sem cortar nenhum de seus três pilares de negócio por aqui: consumidores finais e pequenos negócios através da Dell; clientes corporativos também através da Dell; e clientes nível enterprise, sob o selo Dell EMC.

Alguns pontos ainda seguem sem definição após a fusão. Uma dessas questões é a liderança da nova empresa no país. Luis Gonçalves e Carlos Cunha, respectivamente, presidentes da Dell Brasil e EMC Brasil, devem seguir compartilhando as lideranças por mais algumas semanas, enquanto os próximos detalhes da operação serão definidos.

De acordo com Cunha, o maior trabalho da Dell Technologies agora é garantir a manutenção de "talentos" da companhia, reorganizando colaboradores de acordo com as estratégias que a empresa levará ao mercado a partir da junção.

"O grande foco da nova empresa não é na redução de custos, mas no incremento de receitas que ela pode gerar", avaliou o executivo. "Então nosso grande trabalho é decidir quais talentos colocar em quais posições, mas temos posições para todos".

Os executivos não falam em demissões, mas indicam que algumas poucas "sobreposições" de vagas deverão ocorrer na junção no Brasil. Globalmente, a expectativa é que entre 2 mil a 3 mil colaboradores sejam cortados na nova Dell Technologies, principalmente nos Estados Unidos, em setores como supply chain, marketing e administrativo. Com a fusão, o grupo conta hoje com cerca de 140 mil colaboradores no mundo todo.

O próximo grande marco da fusão deverá ocorrer em fevereiro do ano que vem, quando a EMC passa a adotar oficialmente o calendário fiscal da Dell e as empresas atuarão com maior sinergia. Fevereiro deverá marcar também o lançamento de um novo programa de canais unificado no país.

"A partir daí começamos uma integração maior do ponto de vista do back office, então temos um pipeline que segue por anos de atividades de integrações", explicou Gonçalves.