Motoristas da Uber planejam grande greve para dia da IPO da empresa

Por Rafael Arbulu | 25 de Abril de 2019 às 13h13
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O dia 8 de maio será uma data marcante para a Uber — para o bem ou para o mal. O dia não só marcará a oferta pública inicial (IPO) da empresa na Bolsa de Nova York, mas também uma greve que vem sendo planejado por muitos motoristas de sete grandes cidades dos EUA.

Segundo representantes da classe trabalhadora, os motoristas alegam que a Uber vem encolhendo seus pagamentos, além de não oferecer benefícios ou segurança relacionados a trabalho. Também reclamam de não terem voz contundente nas opiniões refletidas pela empresa e acusam a Uber de falta de transparência para com eles.

A greve vem sendo organizada por diversos grupos de motoristas online e traz respaldo de diversas entidades trabalhistas. Segundo as informações divulgadas, motoristas de São Francisco, San Diego, Los Angeles, Chicago, Minneapolis, Filadélfia e a capital Washington devem se juntar ao movimento de protesto, que paralisará os serviços prestados à Uber por até 12 horas.

“Nós queremos um salário pelo qual se possa viver”, disse o motorista e um dos organizadores, Mostafa Maklad, ao Gizmodo. “A maioria dos motoristas de São Francisco são forçados a trabalharem pelo menos 70 a 80 horas por semana para poder sobreviver na cidade. Custos de moradia aumentam, assim como preços na gasolina, comida… Tudo está ficando mais caro para se viver aqui. Nós temos que dirigir mais e mais, lidar com problemas de saúde e estresse, mas a Uber nem liga. O que ela está fazendo é reduzir o pagamento dos motoristas”.

A Uber não respondeu a pedidos de comentário, tampouco se reuniu com os organizadores da greve. A expectativa da empresa é de arrecadar algo próximo da marca de US$ 10 bilhões em sua oferta inicial.

Greves de grande escala estão sendo organizadas por motoristas em pelo menos sete cidades para o mesmo dia em que Uber realizará sua IPO (Imagem: Reprodução/Gizmodo) 

Estudos diversos já publicados online estimam que um motorista da Uber nos EUA ganha, em média, entre US$ 9 e US$ 14 por hora (algo em torno de R$ 35 e R$ 55, ajustado à cotação de hoje). Entretanto, a Uber já disse em ocasiões passadas que motoristas da empresa nos EUA chegam a ganhar aproximadamente US$ 90 mil por ano.

A estrutura organizacional de motoristas da Uber pegou muitos analistas de surpresa: isolados e trabalhando por conta, ninguém esperava que entidades de cunho trabalhistas fossem formadas ao redor do app de caronas. Entretanto, a motorista e organizadora Rebecca Stack Martinez disse que toda oportunidade é aproveitada para promover essas entidades improvisadas:

“Quando estou em um aeroporto, por exemplo, vejo que a maioria dos motoristas saem dos carros para esticar as pernas, diante de um clima ameno. Eles se reúnem entre si para reclamar das corridas, frustrações e falta de auxílio da Uber. Essa é uma oportunidade para que eu entre na conversa e diga ‘Ei, eu sei bem do que você está falando, essas são algumas organizações que podem lhe ajudar’”.

No Brasil, a realidade não é diferente: em São Paulo, por exemplo, existe a Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo), presidida por Marlon Luz. Ele, além de motorista da Uber em tempo integral, também conta com canais no YouTube, onde publica dicas para quem quer ser motorista pela empresa. Entretanto, agregações em larga escala e greves de maior porte ainda são desconhecidas por aqui.

A situação nos EUA vem escalando de tal forma que, mês passado, um funcionário da Uber escreveu uma carta anônima, publicando-a em apoio aos grevistas: “As greves convocadas pela Rideshare Drivers United [RDU, uma das associações organizadoras da greve nos EUA] no sul da Califórnia; e pela Gig Workers Rising [outra entidade] em São Francisco são um sinal de profunda frustração que muitos motoristas de apps de carona compartilhada sentem”, disse o autor. “Enquanto executivos de tais aplicativos continuam a receber vastas remunerações e pacotes de benefícios e funcionários internos esperam uma IPO bem-sucedida tanto para a Uber quanto para a Lyft (...), [enquanto] os motoristas são ‘comprimidos’ a fim de oferecer as ofertas iniciais de capital aos seus investidores”.

Fonte: Gizmodo

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