Acesso ao crédito é crucial para recuperação da economia em mercados emergentes

Por Colaborador externo | 09 de Abril de 2020 às 09h47

*Por Josh Gosliner (Diretor Sênior de Marketing de Produto da Juvo)

Embora existam questões ainda mais importantes de saúde e segurança pública a serem tratadas no curto prazo, nas próximas semanas e meses, a retomada da economia após o Coronavírus demandará uma nova forma de estímulo econômico. O COVID-19 apertou o botão de pausa no comércio, colocando mercados em queda livre. Como grande parte do mundo está em níveis variados de isolamento social, os autônomos, empresários individuais e micro e pequenas empresas (PME) estão sendo particularmente mais afetados.

Por mais que as empresas tenham a capacidade de acessar suas reservas financeiras e / ou cortar custos no enfrentamento de momentos difíceis, as PMEs e os autônomos normalmente não contam com essas opções e são muito mais vulneráveis. Um esforço que tem sido observado pela sociedade e incentivado pelas próprias pessoas nas redes sociais e pela mídia é o consumo junto ao comércio local, de bairro, uma vez que estas categorias apresentam menores chances de sobrevida em relação às grandes empresas, que possuem maior fluxo de caixa. Esses esforços certamente irão ajudar e incentivar as pessoas a fazer o máximo possível para apoiar as empresas locais durante a crise.

Na China, Estados Unidos e Europa, os esforços de recuperação econômica já estão em andamento, os governos têm muito mais poder econômico para agir. Nos Estados Unidos, os governos federal e estadual já anunciaram programas focados em manter a liquidez das pequenas e médias empresas durante a crise. No Brasil, O Banco Central também incluiu medidas preventivas como o corte da Selic para o menor nível da história, de 3,75% ao ano o que facilitará a negociação de 3,4 trilhões de reais em empréstimos. O governo também irá conceder um auxílio emergencial de RS 600 mensais para trabalhadores sem carteira assinada, inicialmente para os próximos 3 meses, a medida prevê atingir cerca de 24 milhões de pessoas. As PMEs poderão adiar pagamento de tributos como simples nacional e uma medida analisa para os trabalhadores formais, com carteira assinada, um saque parcial do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço) de aproximadamente R$ 1.000.

Sendo assim, em mercados emergentes, a recuperação econômica das categorias mencionadas será um desafio muito maior. Primeiro, os governos podem não ter o mesmo poder e liquidez para injetar dinheiro em pequenas e médias empresas em dificuldades. Ao mesmo tempo, o mercado de empréstimos voltado às PMEs pode não ser tão robusto, o que significa que os empresários provavelmente dependerão de grandes bancos institucionais. O maior desafio para liberar empréstimos para pequenas e médias empresas está diretamente ligado a credibilidade. As PMEs têm sua credibilidade diretamente ligada ao fundador que em muitos casos solicita um empréstimo com base em seu próprio histórico de crédito, e ainda, no caso dos autônomos podem nem contar com esta possibilidade.

Em muitas economias em desenvolvimento, o acesso ao crédito é limitado pela falta de penetração dos bureaus de crédito. Hoje, cerca de quatro bilhões de pessoas, ou seja, 70% de todos os adultos no mundo sequer possuem cadastro em agências de crédito. Para eles, demonstrar credibilidade é difícil, quase impossível. Já que não possuem cadastro nas agências de crédito podem ser considerados totalmente bloqueados do sistema de crédito ou forçados a recorrer aos credores do mercado informal de crédito. Assim, quando as pequenas e médias empresas e autônomos já estão no limite, empréstimos com juros elevados podem piorar ainda mais a situação.

No entanto, boas notícias estão no horizonte. Hoje, muitas das quatro bilhões de pessoas que sequer possuem cadastro em agências de crédito realizam transações diariamente que geram dados que podem ser usados para a criação de uma pontuação de crédito alternativa. Seja pagando por serviços de telefonia móvel, conta de luz, usando redes sociais ou fazendo compras online, todas essas transações geram dados podem ser armazenados digitalmente e associados a indivíduos ou a uma família.

A pontuação de crédito alternativa, agora mais do que nunca, se tornará essencial para a economia global, especialmente no comércio local, enquanto lutamos para escapar da parada econômica brusca. A entrada de mais pessoas no sistema financeiro permitirá que mais PMEs e autônomos se qualifiquem para empréstimos, com condições mais favoráveis e com melhor previsibilidade para as instituições financeiras.

No fim das contas, o crédito é muito importante para oferecer uma rede de segurança que possa suavizar os impactos de acontecimentos que não podemos prever. No meio da crise global, que nem era sequer imaginada há alguns meses, o crédito exerce um papel primordial. Meios alternativos para obtenção de crédito irão possibilitar que mais transações aconteçam, o que ampliará os benefícios para mais comunidades que têm as PMEs, autônomos e microempreendedores como sua espinha dorsal.

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