Por que manter a organização do MWC poderia sair milhões de dólares mais caro

Por Rubens Eishima | 17 de Fevereiro de 2020 às 15h20

Maior evento de tecnologia móvel do mundo, o MWC não apenas é um dos eventos de tecnologia mais aguardados por geeks ao redor do mundo, como movimenta milhões de dólares a cada edição. Por isso, o seu cancelamento não foi uma tarefa fácil para seus organizadores, que tinham confirmado o evento poucas horas antes do anúncio definitivo.

Seu impacto, porém, vai muito além do prejuízo citado pela organização do evento, que segundo a agência Bloomberg estaria pedindo ajuda às empresas e entidades participantes para que absorvam parte do prejuízo. Nada disso chegaria perto das possíveis consequências de uma contaminação por coronavírus acontecendo entre um de seus participantes, em especial, no caso de uma vítima fatal.

Centenas de milhares de pessoas de todo o mundo em uma cidade de cerca de cinco milhões de habitantes, dividindo vários ambientes fechados durante o dia – avião, táxi, trem, ônibus, quartos de hotel, auditórios, restaurantes, pontos turísticos – apresentam riscos infinitos para a transmissão de uma doença da qual ainda pouco se sabe.

Bastaria uma pessoa infectada para causar um problemão, haja alcool gel (crédito: divulgação)

Mais do que isso, a própria natureza do evento facilita o contágio, com os constantes apertos de mão, trocas de cartões e até (literalmente) os hands-ons com os aparelhos nos estandes feitos pela imprensa.

Um eventual contágio confirmado durante o evento mancharia a reputação de uma entidade que precisa zelar pela segurança de seus participantes, tendo um impacto incalculável em edições futuras da feira. E pior, poderia causar um caos na cidade, com pessoas querendo deixar a região a qualquer custo, o potencial de pessoas em quarentenas em seus hotéis, voos cancelados e mais.

Sem contar o efeito cascata devido ao tempo de incubação do vírus, que pode levar até 14 dias até ficar detectável, tempo suficiente para alguém sem nenhuma suspeita do vírus chegar infectado à cidade e transmiti-lo para outra pessoa, antes que qualquer uma delas possa ser diagnosticada com a doença.

Outro ponto a considerar é a série de outros eventos que acontecem durante os dias da MWC. Por exemplo, o governo regional – Generalitat de Catalunya – organiza por todo o estado eventos paralelos, voltados em muitos casos para jovens e crianças, com a participação de pessoas que vão à região para circular pelos pavilhões do evento principal. São milhares de pessoas que não iriam ao MWC, mas acabam impactadas indiretamente.

O outro lado

Dados da GSMA (GSM Association, organizadora do MWC) apontam que o evento em 2019 gerou mais de 14.000 empregos temporários na região da Catalunha. Não apenas profissionais da organização do evento – seguranças, expositores, faxineiros, montadores de estandes, etc – como também todo o ecossistema que faz a engrenagem do evento funcionar: hotéis, táxis, restaurantes, guias, assessores, companhias de turismo e eventos paralelos.

Muito mais do que as coletivas de imprensa e os aparelhos em exposição nos estantes do centro de convenção, o MWC engloba outros eventos relacionados, como o 4YFN – voltado para start-ups e investidores -, YoMo – para estudantes, professores e profissionais da Catalunha - e o Women4Tech, voltado para destacar e incentivar a participação feminina no setor de tecnologia.

Os outros eventos

Apesar do Mobile World Congress organizada em Barcelona ser o evento mais conhecido da GSMA, a associação organiza uma série de outros congressos, caso do MWC Shanghai e MWC Los Angeles.

Menos conhecida, MWC de Shanghai segue ameaçada, mas não foi cancelada (crédito: divulgação/MWC)

O caso do MWC Shanghai é mais preocupante, já que, além da cidade estar mais próxima do epicentro da epidemia, restam pouco mais de quatro meses para o evento, que está marcado para começar no dia 30 de junho.

o impacto financeiro

Claro, há todo o prejuízo material causado pelo cancelamento do evento, que em 2019 reuniu mais de 109.000 participantes de 198 países diferentes, 2.400 expositores e a participação de 7.900 CEOs e 3.640 jornalistas. Segundo a GSMA, o evento de 2019, contribuiu €473 milhões (cerca de 2,2 bilhões de reais) para a economia local.

De quantos milhões seria o prejuízo caso o evento fosse mantido e o pior acontecesse?

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.