Indústria musical pode não se adaptar à crise do coronavírus, diz CEO do Grammy

Por Natalie Rosa | 25 de Março de 2020 às 12h45
Reprodução

Diversos mercados serão prejudicados devido à pandemia do novo coronavírus, que vem paralisando países inteiros para evitar o rápido contágio. Enquanto alguns setores da indústria conseguem continuar o trabalho praticamente de forma normal, outros já começaram a sentir o impacto.

Um deles é o da música. Para Harvey Mason Jr., CEO da The Recording Academy, que promove o Grammy todos os anos, a não ser que o governo e outras organizações de caridade intervenham, músicos da classe trabalhadora e profissionais de turnês podem ser altamente prejudicados.

Diversos shows e grandes festivais, como o Coachella e o Lollapalooza, por exemplo, precisaram ser adiados — alguns até foram cancelados —, e isso prejudica não só os artistas mais conhecidos. Bandas, cantores e instrumentistas contratados saem no prejuízo, assim como equipes de montagem de turnê, iluminação, áudio, vídeo, engenheiros e patrocinadores.

Em entrevista ao The Wrap, Mason disse não considerar que a indústria está se ajustando nessa crise. "Músicos não estão conseguindo ganhar a vida, eles não conseguem fazer dinheiro. Eu não vejo a gente conseguindo transicionar sob essas circunstâncias. O que precisamos tentar fazer é ajudar um ao outro, ajudar pessoas na comunidade musical e pessoas em geral a se sentirem melhores nesses tempos difíceis", disse o executivo.

Harvey Mason Jr. (Imagem: Reprodução)

O braço beneficente da Recording Academy, o MusiCares, criou um fundo de auxílio de US$ 2 milhões contra o novo coronavírus, para que músicos elegíveis possam se candidatar a receberem assistência financeira. Podem se inscrever aqueles que forem prejudicados com o adiamento ou cancelamento de shows e festivais nos quais iriam trabalhar. Até o momento mais de duas mil requisições já foram recebidas.

Quando houveram os desastres do furacão Katrina, o MusiCares ajudou cerca de 3.700 músicos com US$ 4 milhões de auxílio somente em New Orleans, nos Estados Unidos. De acordo com Mason, a The Recording Academy está em processo de determinar quantas pessoas da indústria da música estão sem trabalho devido ao aumento dos casos de COVID-19.

Mason ainda revelou que contratou lobistas em Washington e que está pressionando membros para escrever diretamente ao congresso, pedindo consideração pelas condições do cenário atual. Mais de 7 mil cartas já foram escritas. O executivo chega a citar as medidas feitas por alguns artistas, como fazer shows ao vivo no Instagram, mas ressalta que nem todos os profissionais podem executar algo parecido e também que isso não gera renda.

"Eu não acho que a comunidade musical vai se adaptar sob essas condições. Eu acho que as pessoas vão continuar a procurar pelas plataformas de streaming para ver os artistas performarem e entreterem, o que é ótimo, mas eles não podem monetizar isso", completa Mason.

Em relação a plataformas como Bandcamp e Songtradr, foi aumentado os valores de compra de músicas e álbuns que são repassados aos artistas em 100%, mas, por enquanto, nenhuma negociação parece ter sido feita com grandes gravadoras, empresas de publicidade e grandes serviços de streaming.

Mason finaliza dizendo estar confiante em relação ao fundo financeiro e que, assim que estiver seguro novamente, os artistas não irão desperdiçar a nova chance de compartilhar suas criações com o público.

Fonte: The Wrap

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